domingo, 1 de setembro de 2013

Elenco talentoso salva Vai Que Cola do marasmo

Há alguns anos, uma família atrapalhada do Largo do Arouche invadiu a TV brasileira e mudou os domingos dos espectadores. "Sai de Baixo", que ficou no ar de 1996 a 2002, tornou-se referência da comédia televisiva nacional ao unir as populares sitcons ao teleteatro, gênero raro na história recente da televisão. Desde o fim de "Sai de Baixo", o vazio deixado pelo programa não foi preenchido. Em julho deste ano, o canal Multishow estreou o humorístico "Vai Que Cola", que claramente parece ter a família do Arouche como referência. Com o final da temporada do programa, que teve 40 episódios, fica claro que esse universo do "teatro gravado" ainda encontra espaço na telinha. Mas, para ficar perfeito, ainda precisa ser aprimorado.
A trama de "Vai Que Cola" começa quando Valdomiro Lacerda (Paulo Gustavo) aplica um golpe na zona sul do Rio de Janeiro e, para se esconder da polícia, procura abrigo em uma pensão no Méier, na zona norte da cidade. O lugar é comandado por Dona Jô (Catarina Abdala), que complementa sua renda familiar vendendo quentinhas. Para gerir a pensão, ela conta com a "ajuda" de Ferdinando (Marcus Majella), um concierge muito folgado.
A pensão também é palco dos conflitos amorosos de Jéssica (Samantha Schmutz) e seus dois namorados, Máicol (Emiliano D´Avila) e Lacraia (Silvio Guindane), que se revezam no relacionamento durante os dias da semana. Quem também mora por lá é a despudorada Terezinha (Cacau Protásio), uma viúva de malandro que é alvo de Velna (Fiorella Mattheis), uma brasileira que finge ser gringa para descobrir se Terezinha ainda guarda a fortuna do marido falecido. O nerd Wilson (Fernando Caruso) completa o quadro de hóspedes da pensão e nutre uma paixão secreta por Dona Jô.
No último episódio da temporada, exibido na última sexta-feira (30), os moradores da pensão estiveram às voltas com a ameaça de um meteoro, que atingiria o Méier. Tentando faturar com o desespero dos amigos, Valdomiro decide oferecer abrigo para todos em troca de dinheiro. Isso faz com que todos se mobilizem para conseguir a grana e, assim, sobreviverem à tragédia.
É inegável que "Vai Que Cola" foi um sucesso em sua trajetória no ar e isso se deve, essencialmente, ao talentoso elenco. Os atores são os grandes responsáveis por segurar o programa, já que dão "alma" e graça às histórias. As atuações de Cacau Protásio, Marcus Majella, Samantha Schmutz e Emiliano D´Avila são as que mais chamam a atenção e estão hilárias. Os acertos, contudo, não escondem as falhas: Paulo Gustavo, que é ótimo comediante, não combina com o perfil de seu personagem trambiqueiro e aparece apagado. Já Fernando Caruso, que também é bom de comédia, tem um personagem sem ação nas histórias.
Outro ponto positivo da atração é a plateia, que dá frescor ao programa, reagindo e interagindo com as tramas dos personagens. Essa, aliás, é uma qualidade do formato e, se bem aproveitada pela direção, pode fazer com que o público presente na gravação transforme-se em um personagem ativo da história.
O grande pecado de "Vai Que Cola" é a baixa qualidade do roteiro que, ao que me parece, também é uma deformação do formato. Se não fossem as atuações do elenco, o programa teria histórias sem movimento e desinteressantes. "Sai de Baixo" também sofria do mesmo mal e era igualmente beneficiado pelo talento dos atores.
Com uma segunda temporada confirmada para 2014, "Vai Que Cola" pode ser um ótimo representante do gênero se consertar os erros cometidos nesta primeira leva de episódios e apostar mais na qualidade dos roteiros. Por enquanto, o talento do elenco soube disfarçar o marasmo das histórias. Mas, se isso não acontecer, até quando as atuações conseguirão segurar o programa?

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