segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Safra de novas séries surge enfraquecida e é incógnita para prosperar

Assim como a volta das séries já conhecidas do grande público, esse período do ano também traz uma safra de novas produções que buscam um lugar na, cada vez mais disputada, programação da televisão americana. Pulsante e muito criativo nos últimos anos, o mercado de séries passou a abrigar, neste ano, novas produções que se mostram mais fracas e menos instigantes do que as que surgiram em anos anteriores. Clichês, adaptações e histórias superficiais dão o tom de algumas dos programas que buscam "um lugar ao sol". A seguir, reúno as principais estreias da temporada na televisão americana e uma opinião sobre cada um delas, o que não quer dizer que isso seja uma "sentença de morte" para elas, que ainda têm bastante tempo para se recuperar, se for o caso.

1) Designated Survivor (ABC)

O eterno Jack Bauer está de volta, agora como presidente dos Estados Unidos. Em "Designated Survivor", Kiefer Sutherland é Tom Kirkman, o secretário de Habitação do governo federal na terra do Tio Sam. Ele é escolhido como o representante do governo que ficará protegido, em local desconhecido, durante o famoso discurso do Estado da União, feito pelo presidente, um procedimento padrão de segurança para dar continuidade ao governo em caso de um atentado. Durante o evento, o Capitólio é vítima de um atentado que mata todos os representantes do governo, o que torna Tom o novo presidente do país. Pego de surpresa e, aparentemente, sem o perfil ideal para o cargo, ele precisa lidar com os desafios que a nova função lhe impõe. "Designated Survivor" é uma das melhores séries da nova safra, mas peca por não apostar em novidades, escolhendo caminhos narrativos conhecidos e seguros. A trama de conspiração interna para prejudicar o governo, vista em outras produções, não empolgou logo de cara. Kiefer Sutherland também não diz a que veio no início da série.



2) Pitch (FOX)

Assim como a anterior, "Pitch" mostrou-se uma das melhores novas séries que estrearam. A história acompanha a ascensão de Ginny (Kylie Bunbury), que carrega a responsabilidade de ser a primeira mulher arremessadora a ser escalada para um grande time de beisebol. Na sua chegada para o campeonato, ela lida com muita pressão e preconceito em torno de sua atuação. Diante dos olhares do público, dos jogadores e da direção do time, ela busca forças no passado para superar as dificuldades e conta com a ajuda dos ensinamentos do pai, responsável pelo treinamento e pelo desejo de ver a filha se tornar uma grande jogadora. "Pitch" traz uma trama diferente e interessante, com bons elementos e uma surpresa, no primeiro episódio, que impressiona. A série, no entanto, parece ter pouco espaço para um crescimento da narrativa, que leve a história para outros pontos. Resta, agora, acompanhar e esperar.



3) Notorious (ABC)

O enredo é dos mais interessantes, mas a abordagem superficial deixa muito a desejar. Esse é o resultado de "Notorious", outra série que estreou nesta temporada. A trama aborda a produção de um programa jornalístico, comandada por Julia George (Piper Perabo). Com a ajuda do famoso advogado Jake Gregorian (Daniel Sunjata), ela leva ao público as principais notícias e casos interessantes, utilizando, para isso, métodos traiçoeiros e pouco ortodoxos de manipulação de mídia, que também servem a seu parceiro na esfera jurídica. Inspirada em um história real, "Notorious" é o clássico caso de série certa, com a abordagem errada. O bom tema se mostra subaproveitado e superficial, caindo até em alguns clichês e se aproveitando de um mistério desnecessário. Se fosse uma série de televisão a cabo, talvez a qualidade fosse outra.



4) Bull (CBS)

Também baseada em uma história real, "Bull" não empolga logo de cara. A produção traz o advogado Jason Bull (Michael Weatherly) e a abordagem inusitada que o profissional tem para conduzir seus casos. Com uma moderna estrutura, ele é especialista em analisar os jurados e, com isso, entender quais as chances de vencer no tribunal. Ele exige "carta branca" para controlar a conduta do cliente, desde a vestimenta até os gestos que devem ser feitos diante do juri. Assim como outras dessa nova safra, "Bull" peca pela superficialidade. A estreia não diz nada e ensaia uma complexidade na personalidade do protagonista, que não deve salvar a produção.



5) MacGyver (CBS)

Uma série que começa errada, dificilmente consegue se recuperar. Alguém decidiu reviver o clássico personagem MacGyver, sucesso entre os anos 80 e 90. Até ai, tudo bem. O problema é que esqueceram de modernizar a narrativa e trazer novos elementos para a produção. A trama do agente que trabalha em missões secretas para o governo, em um departamento desconhecido até pelo FBI e para a CIA, definitivamente não empolga. É uma série datada, cujos roteiristas parecem não ter tido criatividade para transportá-la para os dias atuais. Nem mesmo a tecnologia adotada nos procedimentos faz com que o público se sinta em uma história atual. Isso sem falar nos clichês narrativos, que só prejudicam a série. Ao que parece, as habilidades impressionantes de improviso de MacGyver não foram suficientes para os dias atuais. Sem um bom roteiro, não se vai muito longe.



6) This is Us (NBC)

Será que existe alguma conexão especial e inexplicável entre pessoas que nasceram no mesmo dia? Bom, honestamente, vendo "This is Us", não dá nem vontade de descobrir. Apesar de um surpresa no fim do primeiro episódio, esta é mais uma produção nova que não empolga. A narrativa do início até que é boa, contando histórias diferentes sem determinar períodos ou conexão. Há, no entanto, à primeira vista, uma tremenda falta de elementos que agucem a curiosidade do público para um próximo episódio. O enredo, num primeiro momento, também parece pouco engessado e sem grandes possibilidades de crescer. Quem sabe possa ter algum êxito se for construída como uma antologia, trazendo uma trama diferente por temporada. Mesmo assim, talvez nem prospere nesse nível...



7) Lethal Weapon (FOX)

Mais uma adaptação, desta vez do sucesso cinematográfico de ação "Máquina Mortífera". A série traz Damon Wayans (de "Eu, A Patroa e as Crianças") vivendo o policial cinquentão Roger Murtaugh, que está voltando ao trabalho depois de um problema cardíaco. No retorno, ele descobre que terá um novo parceiro, o policial Martin Riggs (Clayne Crawford), um homem traumatizado pela morte da esposa grávida e que, por isso, parece "procurar" a morte. A partir daí, seguindo a linha cinematográfica, surgem muitas explosões, perseguições e tiros na busca por resolver os crimes em Los Angeles. Como gênero de ação, apesar de não ser nenhuma maravilha, "Lethal Weapon" não se dá mal, mas como trama deixa muito a desejar. A superficialidade (ela de novo!) constrói mal o drama dos personagens e até forja certa profundidade na personalidade dos personagens. É, como quase todas as séries dessa leva, uma incógnita.

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