segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Under The Dome tem o desafio de ser mais do que uma ficção científica

Quais são as consequências de viver isolado do mundo? Como as pessoas reagiriam se fossem privadas do convívio com o resto da população? Que reações o isolamento pode causar ao ser humano? Todas essas questões são levantadas com o primeiro episódio de "Under The Dome", que estreia hoje (4) no Brasil. Baseada na obra de Stephen King, a série começa com o misterioso surgimento de uma redoma em volta da cidade interiorana de Chester´s Mill, um local aparentemente pacato.
O episódio começa apresentando Barbie (Mike Vogel), um homem que parece esconder muitos segredos. Depois de enterrar um homem na floresta, ele é surpreendido pelo aparecimento da redoma e, por causa dela, não consegue deixar a cidade. Logo, a população da cidade é atingida pelo acontecimento, que provoca acidentes e deixa muitas pessoas feridas, já que ninguém sabe que a barreira é intransponível.
Alertada sobre um carga suspeita que chega, com frequência a Chester´s Mill, a jornalista Julia Shumway (Rachelle Lefevre) logo é desviada para o surgimento da redoma, o que também chama a atenção da policial Linda (Natalie Martinez) e do xerife Duke (Jeff Fahey). Quem também fica alarmado pelo isolamento é o vereador Big Jim (Dean Norris), um homem suspeito, que parece estar envolvido em alguns segredos da série. Enquanto assimilam as novidades, as pessoas deparam-se, ainda, com reações estranhas, que podem estar relacionadas à chegada da redoma, como as convulsões que acometem alguns jovens da cidade.
O isolamento proposto pela redoma de "Under The Dome" é um gancho interessante e pode render uma boa história, caso o melhor aspecto da trama seja explorado. Muito mais do que apostar no lado "ficção científica", sobre o surgimento da redoma e do por quê dela surgir em uma pacata cidade do interior, a série pode ser diferenciada se focar nas reações do ser humano a tudo isso. Como, por exemplo, as pessoas irão reagir ao ter que viver sem energia, comunicação externa ou com um estoque limitado de comida? De que forma a população vai se relacionar? Alguém vai tentar dominar a comunidade, uma vez que as leis e as autoridades são, agora, limitadas?
Mesmo com uma premissa interessante, "Under The Dome" tem alguns pontos frágeis em sua narrativa. O principal é, sem dúvida, a construção de algumas tramas e personagens. Junior (Alexander Koch) vai de adolescente apaixonado a psicopata obsessivo em apenas um episódio, sem que sua história ganhe contornos  ou caminhos que a tornem interessantes. A chegada de Barbie à cidade e a ligação dele com Julia também poderiam ter sido melhor exploradas, mas pareceram apressadas e forçadas demais.
Se focar no lado comportamental e psicológico dos personagens, "Under The Dome" pode ser uma boa opção na TV. Mas, se optar pelo caminho mais fácil e transformar-se em mais uma manjada ficção científica, pode ter desperdiçado um bom argumento e, também, o tempo do público.
 
 
UNDER THE DOME (primeira temporada)
 
Quando: a partir do dia 4 de novembro, toda segunda-feira
 
Onde: TNT
 
Horário: 22h30

Um comentário:

  1. Bom amigo, gostei da matéria, mas acho que você não lê Stephen King, porque se já tivesse lido, saberia que o King faz este tipo de coisa, coloca algo que não compreendemos e vai explicando conforme o desenrolar da trama. E ainda, o comandante desta série é o Steven Spillberg, (mesmo não sendo o diretor oficial) e se você sabe do que está falando, deve saber também que ele não é de dar mancada com adaptações, tanto que já adaptou vários livros do King para o cinema e foram SUCESSO!

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