segunda-feira, 9 de junho de 2014

Tá No Ar resgata irreverência e inteligência do humor na TV

Um especial de fim de ano em pleno mês de junho. Era só isso que faltava para "Tá No Ar - A TV Na TV", aposta da temporada no humor da TV Globo, comandada por Marcius Melhem e Marcelo Adnet, que terminou na última quinta-feira (5). Rindo do que a televisão tem de melhor (e de pior também), o programa foi uma grata surpresa, resgatando um humor irreverente e inteligente, que fazia falta na telinha.
Imitando um espectador com um controle remoto nas mãos, mudando freneticamente de canal, "Tá No Ar" apresenta uma gama de atrações televisivas, dos mais variados gêneros. Propagandas, telejornais, revistas eletrônicas, programas femininos e culinários, séries e infantis foram os principais alvos do humor afiado do grupo. 
Entre os quadros mais engraçados, destaca-se o "policialesco" "Jardim Urgente", comandado pelo apresentador Jorge Beviláqua (Welder Rodrigues), uma mistura de José Luiz Datena e Marcelo Rezende. Apresentando os crimes mais escabrosos do "cruel" universo" infantil. o quadro arranca gargalhadas com o talento do ator e a qualidade do texto. Também foram destaques do programa as séries "Crentes" e "Doutor SUS".  As letras inspiradas da paródia "Galinha Preta Pintadinha" e o programa "Pesca Fatal" também chamaram atenção. Isso sem contar o ótimo clipe feito por Jesus de Nazaré (Marcelo Adnet) sobre sua vida. Impagável.
As principais qualidades de "Tá No Ar" são a liberdade e o despudor dos autores, que parecem ter carta branca para falar de tudo e de todos. Isso mostra, também, uma boa qualidade adquirida pela TV Globo, que mostrou "espírito esportivo" ao permitir que os integrantes do programas tirem sarro indiscriminadamente de sua programação e de outras emissoras. Saber rir de si mesma ajudou a Globo a sair do marasmo no humor.
É bom ver um produto como "Tá No Ar" ocupando espaço na principal emissora do país e fazendo sucesso. A liberdade dada a Adnet e Melhem mostrou que o humor popular pode (e deve!) ser inteligente, sarcástico, irreverente e despudorado. "Tá No Ar" precisa voltar logo a ocupar seu lugar na programação da TV brasileira.

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