segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O pior da TV em 2015


Mais um ano chega ao fim e isso acaba provocando uma retrospectiva sobre o que a televisão nos apresentou em 2015. Tivemos um período de poucos escorregões no universo das séries, que tem se mostrado cada vez mais sólido. Mesmo assim, alguns erros não passaram batido, como veremos abaixo. Foi um ano conturbado para as novelas, especialmente na TV Globo, que teve que encarar o "erro do século" no principal horário de teledramaturgia da emissora. Na Record, pudemos perceber que um sucesso de público, que, inclusive, ameaçou a hegemonia da Globo, não significa muita coisa se não vier acompanhado de qualidade. E, no humor, ainda houve uma tentativa de inovação que acabou se revelando um verdadeiro fiasco. Com vocês, alguns motivos para esquecer a TV em 2015.

1) Babilônia

Se houve um erro na televisão, nem só desse ano, mas de muitos outros, com certeza se chama "Babilônia", novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga que foi ao ar às 21 horas. Depois de um primeiro capítulo eletrizante, que tinha uma história bem contada e personagens interessantes, o folhetim foi ladeira abaixo. Nada criativos e caóticos, os capítulos foram passando e expondo problemas gritantes na construção da trama, esvaziada pela falta de conflitos entre os personagens e pelas mudanças em alguns enredos, claramente feitas para tentar resgatar o público que fugiu do canal no horário. É óbvio que não surtiu efeito e a novela chegou ao fim com personagens descaracterizados, a presença de muitos clichês e zero de interesse despertado pelo desfecho. Nem mesmo o elenco, com nomes como Fernanda Montenegro e Glória Pires, foi capaz de salvar esse barco, que começou a naufragar no segundo capítulo. 

2) Revenge

Apesar de ter começado lá em 2014, "Revenge" teve seu aguardado final exibido neste ano. O resultado, depois de quatro temporadas de suspense e vingança de Emily Thorne não poderia ter sido pior. Ao pior estilo "o último a sair, que apague a luz", a série teve um desfecho apressado, mal pensado e que conseguiu, apenas com o último episódio, desvalorizar todo o caminho construído pela produção em quatro anos. Narrativa pobre, clichês e finais preguiçosos pontuaram o final da rixa entre Emily e Victoria. Uma verdadeira falta de respeito com o espectador, que "morreu na praia" esperando um grand finale. 

3) Superstar

Mesmo aparando algumas arestas expostas na primeira temporada, como problemas com a votação e os jurados, o reality show "Superstar" voltou à grade da TV Globo e repetiu erros já evidentes. Além do horário de exibição (domingo à noite), o que desvaloriza o formato, o programa também sofreu com a falta de personalidade da atração. A mudança de jurados só expôs a troca de seis por meia dúzia, com Sandy, Paulo Ricardo e Thiaguinho demonstrando pouco critério no julgamento dos candidatos e falta de traquejo para a exposição dos motivos. A votação final, que deu a vitória à dupla "Lucas e Orelha" também foi insignificante e demonstrou que a popularidade é um critério mais utilizado pelo público do que o talento. 

4) Quantico

O canal norte-americano ABC começou a exibir, neste ano, "Quantico", uma série que transforma a escola de agentes do FBI em um dia de aula em "Malhação". A produção acompanha a chegada de novos recrutas à agência e culmina na suspeita de um deles estar envolvido em um grande ataque terrorista em Nova York. O roteiro fraco abusa dos clichês e de flashbacks para explicar a vida pregressa do grupo de novos agente e, com isso, os motivos que levaram ao atentado. Uma das primeiras sequências da série, a instalação dos recrutas na academia do FBI, é digna de pena e só reforça o enredo bobo da produção. Não vale nem o primeiro episódio!

5) Vai Que Cola, Acredita na Peruca e #PartiuShopping

Escolhi juntar esses três programas pois, além de serem do mesmo gênero e exibidos pelo mesmo canal (Multishow), padecem do mesmo mal: a ausência de criatividade e roteiros bem estruturados. Gravados com a presença de plateia, as três produções tiveram atores talentosos à disposição, mas entediaram com roteiros bobos e piadas sem graça, incapazes de divertir e que, no máximo, arrancaram risadas de constrangimento. "Acredita na Peruca" e "#PartiuShopping" não devem ganhar novas temporadas, enquanto que "Vai Que Cola" ainda pode prolongar sua exibição graças à capacidade de improviso de seu elenco. Se o programa, de fato, ganhar novos episódios, medidas urgentes devem ser tomadas para consertar essas falhas.

6) Os Dez Mandamentos

Sucesso da Record no ano que chega ao fim, a novela "Os Dez Mandamentos" não pode ser considerada um êxito da televisão se levarmos em consideração a qualidade do que foi exibido. O texto é o principal motivo para o folhetim estar nessa lista. Diálogos pobres e acontecimentos extremamente prolongados para segurar a audiência são os principais defeitos do roteiro da autora Vivian de Oliveira. O sucesso inesperado na novela mostrou que a Record não possui nenhum planejamento em seu departamento de dramaturgia, tanto que a novela foi esticada algumas vezes até que a emissora decidisse seguir a linha dos folhetins bíblicos e colocasse o próximo em produção. Claramente, aqui, qualidade não interessa. 

7) Chapa Quente

Escolhido pela Globo para substituir o sucesso de "A Grande Família" nas noites de quinta-feira, "Chapa Quente" foi bem de audiência e garantiu mais uma temporada no ano que vem. Como popularidade não é sinal de qualidade, o seriado pecou pela comédia rasteira que apresenta, pontuada por soluções fáceis e piadas bobas. O elenco, encabeçado por Leandro Hassum e Ingrid Guimarães, é bom, mas fica perdido diante dos problemas com o roteiro limitado. Mais um sucesso vazio!

8) Supergirl

Séries de super-heróis estão na moda e, seguindo esse movimento, o canal americano CBS começou a exibir, em 2015, a série "Supergirl", que conta a história de Kara, a prima do Homem de Aço, que veio à Terra, inicialmente, com o intuito de proteger o Superman. A ausência de conflitos na história, que é baseada nos quadrinhos da DC Comics, originou uma série boba e sem atrativos. É claro que é válido e importante que as heroínas tenham vez na televisão, desde que elas venham acompanhadas de boas histórias. Do contrário, como é o caso, apenas ocupam espaço nas grades das emissoras de televisão. 

9) I Love Paraisópolis

Escrevendo essa lista, me dou conta de que talvez esse tenha sido o ano dos programas de "embalagens vazias". "I Love Paraisópolis", novela das 19 horas exibida pela TV Globo, também padeceu do mesmo mal de outros programas do ano. O folhetim de Alcides Nogueira e Mário Teixeira não apresentou nenhuma história sólida, que andou em círculos durante meses e não empolgou. A ausência de conflitos, especialmente entre os protagonistas, fez com que núcleos secundários ganhassem espaço e ficassem, muitas vezes, mais tempo no ar do que os personagens centrais. O tom exagerado de alguns atores para a comédia também forçou a barra e prejudicou o andamento da novela. 

10) Tomara Que Caia

É game ou humor? A própria chamada de estreia do programa "Tomara Que Caia" já denunciava que nem a Globo sabia definir o produto que estava colocando no ar. Querendo misturar comédia e interatividade, propondo que o público escolhesse os rumos das piadas, a atração mostrou que não tinha personalidade nenhuma, além de ter um texto muito ruim e atores, com algumas exceções, pouco familiarizados com a arte do improviso, ingrediente importante para o formato do programa. O resultado foi desastroso, pouco eficiente e muito sem graça. Por um lado, até vale a intenção de criar um projeto original e colocá-lo para o julgamento da audiência, mas isso não pode ser feito sem preparação ou recursos para que a empreitada dê certo. Isso sem falar no horário ingrato em que era exibido, após o "Fantástico" nas noites de domingo. Não vai deixar saudades!

11) Xuxa Meneghel

A ida de Xuxa para a Record, depois de uma carreira de mais de 20 anos na TV Globo, fez barulho em 2015. Cercada de expectativa, a apresentadora estreou um programa que, segundo os próprios criadores, é inspirada na atração comandada por Ellen DeGeneres na televisão norte-americana. Até mesmo o visual de Xuxa foi alterado, para que ela se assemelhasse a Ellen. A proposta só destacou o que já estava evidente na Globo: Xuxa não encontrou uma identidade própria para falar com o público. Some a isso o programa pobre dado a ela pela Record, que sofre de falta de conteúdo e atrações interessantes. No ar, fica parecendo que a produção se arrasta para chegar ao final. Talvez, apressar a estreia da apresentadora, sem um formato de programa sólido, somente para aproveitar o burburinho, tenha sido um tiro no pé. 

12) Code Black

A televisão ganhou mais uma série médica nesse ano. "Code Black", no entanto, mostrou muito mais erros do que acertos e não empolgou nos primeiros episódios já exibidos. Ao narrar a rotina de médicos durante o período mais movimentado de um pronto-socorro público norte-americano, a produção erra feio no ritmo da história, exagerando, muitas vezes, o número de casos e pacientes apresentados, o que faz com que tramas fiquem mal resolvidas. Outro ponto elaborado de forma errada é a construção dos personagens, criados a partir de clichês que podem ser vistos em qualquer outra série do gênero. Nem mesmo a presença da sempre ótima Marcia Gay Harden fez a série dar certo. 

13) Verdades Secretas

Sucesso do horário das 23 horas, "Verdades Secretas" vai aparacer na lista dos piores e, também dos melhores programas de 2015. Isso é necessário, pois a trama de Walcyr Carrasco tem boas qualidades, mas, ao mesmo tempo, é marcada por efeitos gritantes, que fazem diferença no resultado final. O folhetim está nessa lista, do meu ponto de vista, pelo defeito mais grave: o texto sofrível levado ao ar por Carrasco. Em outras oportunidades, o autor mostrou ter a "mão pesada" para diálogos e, aqui, ele abusou disso. Frases pobres e de efeito distanciaram a novela da coloquialidade e imprimiram uma rigidez que prejudica o andamento do folhetim. Situações repetitivas e falta de sutileza em algumas cenas também foram os pecados da trama. Desde o começo, por exemplo, era previsível que uma tragédia, envolvendo uma arma, iria acontecer, já que o autor insistia em encaixar cenas em que o objeto era manuseado, na grande maioria das vezes, fora do contexto da história. Isso sem contar nos diálogos extremamente explicativos que, no meu ponto de vista, subestimam o espectador. Nesse quesito, pelo menos, "Verdades Secretas" foi uma decepção. 

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