terça-feira, 27 de dezembro de 2016

As melhores séries de 2016


Se, por um lado, as novas séries que estrearam, em sua grande maioria, "derraparam na curva" e decepcionaram, em compensação, 2016 foi o ano em que muitas produções, que já estão no ar há algum tempo, atingiram o ápice. Isso não quer dizer, no entanto, que não há novas séries entre as melhores, mas as escolhidas foram aquelas que agregaram novas qualidades ao já fértil universo das séries de TV e, com muitos méritos, fizeram a diferença no ano que vai acabando. Vai, então, às 15 melhores produções do ano.

1) GAME OF THRONES

Já na sexta temporada, "Game of Thrones" teve, em 2016, o seu melhor ano de exibição. A resolução de enredos, o cruzamento de histórias e os ganchos deixados para o futuro renderam momentos memoráveis à produção, que só vai voltar no meio do ano que vem. Sequências como a da vingança de Cersei (Lena Headey), uma das mais marcantes de toda a série, e da batalha de Jon Snow (Kit Harington) foram algumas dos destaques do sexto ano, que pode ser considerado "uma temporada de movimento", em que as tramas, mais do que em outros anos, se encaminharam para uma necessária convergência. A boa qualidade só gera ainda mais expectativa para as duas próximas temporadas, que serão as últimas do universo de George R. R, Martin.

2) WESTWORLD

Apesar de poder ser considerado um ano mais fraco para as novas séries, 2016 teve a sensacional primeira temporada de "Westworld", produção da HBO baseada na obra literária de Michael Crichton e no filme homônimo de 1973. A produção de ficção científica é daquelas que "explode" a cabeça do espectador e que exige total atenção aos detalhes da narrativa, extremamente bem amarrada por sinal. Confesso que, após os dez episódios, tentei procurar por "buracos" no roteiro, mas não lembrei de nenhum. A trama do parque temático que abriga inteligências artificiais, definitivamente, veio para ficar e ainda pode render muitos bons momentos com os ganchos deixados para o segundo ano. O elenco, que tem Ed Harris, Anthony Hopkins e o brasileiro Rodrigo Santoro, é muito coeso e importante para o bom resultado da produção.

3) STRANGER THINGS

O revival dos anos 80 provocado pela estreia de "Stranger Things" foi, também, um dos marcos do universo das séries no ano. Personagens carismáticos, uma história instigante e as inúmeras referências feitas a ícones da cultura pop são alguns dos ingredientes dessa equação muito bem-sucedida. O elenco, infantil e adulto, é ótimo, o roteiro é inteligente, construindo uma história universal, e a trilha sonora é uma "viagem" de volta aos anos 80. Além disso, os oito episódios são ideais para fazer aquela maratona de fim de semana, que sempre possibilita uma visão mais completa do todo.

4) AMERICAN CRIME STORY: PEOPLE VERSUS O. J. SIMPSON

Mostrando, pela primeira vez, um lado mais contido, o autor, produtor e diretor Ryan Murphy mostrou que deixar os exageros, comuns em suas produções, e apostar em uma linguagem, digamos, mais séria, pode surtir um bom resultado. Criada para retratar um crime real diferente a cada temporada, "American Crime Story" acertou muito ao retratar o julgamento do caso do famoso O, J, Simpson, acusado de matar a ex-esposa e um amigo dela nos anos 90. Com um roteiro bem construído, boas atuações (John Travolta e David Schwimmer não estão incluídos aqui) e uma ótima ambientação da época, a série refez os acontecimentos e o julgamento de forma bastante satisfatória. Não à toa, a produção vem ganhando muitos prêmios por aí.

5) JUSTIÇA

A autora Manuela Dias acertou muito com "Justiça", série que, a cada dia da semana em que era exibida, contada histórias de injustiças cometidas contra os personagens centrais e que, em dado momento, se cruzavam, nem que isso acontecesse através de detalhes mínimos. A proposta exigiu um cuidado a mais com o roteiro, que conseguiu cumprir com as expectativas. O fato de não procurar caminhos fáceis e óbvios para conquistar o público foi, talvez, seu maior mérito. Além da ousadia na narrativa, as excelentes atuações de Débora Bloch, Adriana Esteves, Jesuíta Barbosa, Drica Moraes, Jéssica Ellen, Vladimir Brichta, Enrique Diaz, Leandra Leal, Julia Dalavia, Cauã Reymond e Antonio Calloni fez toda a diferença para a produção, que contribuiu para elevar os padrões nacionais do gênero.

6) GILMORE GIRLS: A YEAR IN THE LIFE

Entre todas as séries que formam essa lista, talvez a tarefa mais difícil tenha sido a de "Gilmore Girls: A Year in the Life", que, em quatro episódios especiais, trazia a proposta de resgatar um sucesso antigo e já encerrado há alguns anos. Diante de tal missão, o resultado não poderia ter sido mais satisfatório. Com muita inteligência e humor afiado, características marcantes da série original, a produção criou momentos inspirados e boas narrativas para as mulheres Gilmore. Os bons arcos dramatúrgicos das protagonistas se mostraram bem pensados e a transformação das personagens diante dos olhos do público foi especial para a produção. O resgate de personagens carismáticos e situações inspiradas também ajudaram a resgatar o clima da série original. É daquelas que acabam e, logo em seguida, dá vontade de ver de novo!

7) DEMOLIDOR

Em sua segunda temporada, "Demolidor" atingiu uma maturidade interessante em relação às produções da Marvel para o gênero. Apresentada de forma gradativa e crescente, a narrativa do vigilante de Hell´s Kitchen teve enfoque em aspectos bastante subjetivos dos personagens e, muito bem amarrada, agradou. A introdução do Justiceiro, que deve ganhar série própria, e, até mesmo de Elektra, mal inserida no início, mas mostrando boas nuances ao longo da temporada, pode ser considerada um ponto positivo e deu "outra cara" à narrativa. A série ainda reservou uma volta triunfal a um dos melhores personagens: Wilson Fisk, o Rei do Crime, retorna grandiosamente e, ao que parece, para outros bons momentos na produção.

8) NARCOS

O derradeiro desfecho de Pablo Escobar (Wagner Moura) em "Narcos" ficou enfraquecido neste segundo ano, muito por conta da demora para que a trama engrenasse. Mas, pensando no todo, a perda da força do personagem é até justificável, uma vez que a produção precisa mostrar que pode caminhar após a morte do protagonista. Depois de um começo mais lento, a série engrena e é nesse período que mostrou suas qualidades, o que fez com que tivesse espaço nesse ranking. As sequências de ação, que pontuam o fecho do cerco a Escobar, são alguns dos bons momentos da trama. A ascensão, tímida e precisa, de um novo grupo de traficantes, que vai movimentar a próxima temporada, foi outro bom acerto da produção, que, é bem verdade, não terá uma das tarefas mais fáceis do mundo ao ter que sobreviver sem Escobar.

9) HOW TO GET AWAY WITH MURDER

Se você está atrasado e ainda não descobriu quem é o personagem que está debaixo do lençol do necrotério de "How To Get Away With Murder", sugiro que se apresse em descobrir. Depois de uma boa segunda temporada, inferior, porém, à primeira, a série reforçou suas melhores qualidades e, por enquanto, tem construído um terceiro ano bastante interessante. É impressionante a capacidade de reinvenção dessa produção, que poderia ter se esgotado na primeira temporada, mas soube se manter em boa forma. Nem é preciso dizer que o desempenho de Viola Davis continua excepcional e empresta muita força para a produção.

10) THE GOOD WIFE

O que começa em um tapa na cara, precisa terminar com outro tapa. Esse gesto marcou o fim da transformação da advogada Alicia Florrick (Julianna Margulies) e, mesmo que não tenha agradado a todos, é inegável que o fim de "The Good Wife" foi coerente. A protagonista e suas escolhas a encaminharam em uma mudança de personalidade muito bem construída, talvez um dos arcos dramáticos mais bem elaborados da televisão. O texto especial e o elenco de excelentes atores, como Christine Baranski, foram qualidades marcantes da produção, que terá um spin-off a partir do próximo ano.

11) THE BLACKLIST

Raymond Reddington (James Spader) é, sem dúvida, um dos grandes personagens da televisão atualmente. Roteiro e interpretação se mostram em harmonia para construir as nuances desse carismático criminoso, composto de fragilidade e força em igual proporção. Já na quinta temporada e após muitos desdobramentos, "The Blacklist" ainda mostra força com uma história muito bem amarrada, que lança mão de muitas insinuações para alimentar seu enredo. A aposta em dramas de personagens secundários e, é claro, a caça aos famosos bandidos da lista negra de Reddington, são componentes acertados e ainda férteis para o sucesso da produção, que ainda reserva boas surpresas para a temporada atual.

12) BATES MOTEL

A infância do icônico vilão Norman Bates chegou ao ápice na quarta temporada de "Bates Motel", exibida em 2016. A loucura do protagonista, impecavelmente interpretado por Freddie Highmore, chegou ao ponto máximo e, com isso, houve a conclusão da construção da personalidade vista no livro e no filme "Psicose", trama esta que será resgatada na quinta e última temporada, prevista para o ano que vem. É necessário destacar o desempenho irretocável de Vera Farmiga, que faz Norma Bates, a mãe que alimenta a insanidade do filho. As sequências em que Norman tem "apagões" e assume a personalidade da mãe foram especialmente bem executadas nesta temporada, que desenhou um arco narrativo interessante e que pode trazer novidades em relação ao clássico dos cinemas e da literatura.

13) HOUSE OF CARDS

O casal Claire (Robin Wright) e Frank Underwwod (Kevin Spacey) passou por momentos íntimos difíceis na quarta temporada de "House of Cards" Os problemas entre eles foram são bastante coerentes, afinal, duas personalidades tão ambiciosas e interesseiras, uma hora ou outra, iriam colidir. O embate entre o casal foi o ponto alto da temporada, com destaque para os momentos de rebeldia de Claire, que permitiram uma temporada impecável de Robin Wright. O quarto ano ainda teve o desempenho sempre acima da média de Spacey e uma participação forte de Cicely Tyson. Mas, se já eram forte individualmente, o casal descobriu um ponto de convergência e decidiu apostar todas as suas forças em um conflito que pode mantê-los no poder. O que vai acontecer a partir disso? A resposta só na próxima temporada...

14) LUKE CAGE

O universo Marvel das séries ganhou, em 2016, o representante que faltava. A vida no Harlem do indestrutível Luke Cage (Mike Colter) elevou o patamar das produções do gênero. Construindo uma personalidade distinta de "Demolidor" e "Jessica Jones", a série apresentou um estilo narrativo próprio, personagens bem desenhados e um visual marcante. Nem mesmo o ritmo mais lento dos primeiros episódios consegue enfraquecer a história bem construída e pensada para ter um desfecho satisfatório. As atuações de Colter, Mahershala Ali e Alfre Woodard ajudam a dar o tom da trama, que se tornou mais uma produção imperdível da Marvel.

15) THE CROWN


Quem vê a rainha Elizabeth ocupando o trono da Inglaterra há tanto tempo, não imagina como foi a transição da jovem princesa até o mais alto degrau da monarquia britânica. Os efeitos e o "peso" da coroa podem ser vistos em "The Crown", série que acompanha os primeiros momentos de Elizabeth no trono. O roteiro histórico, muito bem contextualizado, é um destaque positivo da produção, que também explora os aspectos pessoais da vida da rainha, como a frustração de seu marido e os conflitos que a coroa pode trazer em suas relações familiares. A série ainda traz um desempenho excelente de John Lithgow, que vive o primeiro ministro Winston Churchill em seus últimos momentos à frente do governo britânico.

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