terça-feira, 20 de dezembro de 2016

As piores séries de 2016


2016 já está quase sumindo no horizonte e, como sempre, o desejo de fazer listas para relembrar o que passou é praticamente irresistível. No universo das séries, o ano que termina trouxe poucas novas produções consistentes, que pecaram, geralmente, em seus roteiros fracos e mal desenvolvidos. O resultado disso será, futuramente, que veremos pouca coisa que estreou em 2016 prosperando por muitas temporadas. Algumas, inclusive, não vão sair do ano inicial. Confira agora aquelas que, com muito mais defeitos do que qualidades, não conseguiram se salvar do ranking de piores séries de 2016.

1) CONVICTION

Sabe quando uma boa ideia é praticamente jogada no lixo? Então, esse é o caso de Conviction, que estreou alimentando certa expectativa dos fanáticos pelo mundo das séries. Recém-saída de "Agent Carter", que foi cancelada, Hayley Atwell apostou na protagonista dessa produção que mistura casos policiais com a política em Nova York. O problema é que ela apostou muito errado. A história da mulher que leva uma vida inquieta e é obrigada a participar de um grupo de profissionais que revê os casos de presos que alegam inocência é muito mal desenvolvida. O roteiro raso tenta imprimir certa complexidade na personalidade da protagonista e no relacionamento conturbado entre ela e seus companheiros de trabalho, mas só o que consegue é dar a sensação de que os conflitos estão sendo desperdiçados. A série também erra ao buscar alívios cômicos nos momentos errados, o que prejudica o ritmo da produção. O elenco inexpressivo é outro ponto negativo desse equívoco de 2016, com destaque (negativo, claro) para o trabalho de Hayley, que não conseguiu deixar no ar as sutilezas que a personagem tenta imprimir.

2) 3%

"Você é o criador do seu próprio mérito". Essa frase faz parte do discurso de Ezequiel (João Miguel), o homem que comanda uma seleção de jovens que terão um futuro melhor em um mundo dividido entre aqueles que têm tudo e os que não têm nada. Ao que parece, a primeira produção brasileira no catálogo do Netflix esqueceu completamente desse ensinamento. A ficção científica, proposta nova no mercado nacional, não conseguiu se sustentar ao longo dos oito episódios da primeira temporada. O conceito apresentado pelo roteiro, que traz muitas falhas, diga-se de passagem, não se reflete em imagem e a produção não consegue imprimir a ideia futurística que deseja. A construção da personalidade de alguns dos jovens que buscam uma vida melhor na comunidade "Maralto" não convence em muitos momentos e revela "buracos enormes" no roteiro. As poucas qualidades da produção, como o ótimo desempenho de João Miguel, ficam ofuscadas pelas falhas. Espero que a segunda temporada, já confirmada pelo Netflix, consiga se recuperar.

3) QUEEN OF THE SOUTH

A brasileira Alice Braga foi a escolhida para protagonizar essa adaptação da novela "La Reina del Sur", produzida pela rede Telemundo com foco no público latino. A série acompanha a trajetória de uma mulher que se torna uma poderosa traficante de drogas. A transformação do enredo em seriado não eliminou defeitos que podem ser vistos facilmente em folhetins, como a ausência de sutilezas na construção dos personagens e dos dramas. O resultado se assemelha a um "dramalhão mexicano", no pior sentido da expressão, com um roteiro cheio de exageros. Até mesmo as caracterizações e as cenas de ação são marcadas por esse tom "over". É sofrível de assistir.

4) BULL

Baseada em uma história real, "Bull" é outra série do ano que decepciona... e muito! A trama do advogado especialista na análise de jurados em julgamentos criminosos não empolga desde o primeiro episódio. Além das histórias secundárias mal exploradas e pouco interessantes, a série peca por flertar com a construção de uma personalidade complexa do personagem, que nunca se apresenta de fato. Essa superficialidade enfraquece quase que totalmente a trama da produção, toda focada no protagonista e sem coadjuvantes que possam contribuir com ela. Certamente, não deixará saudade quando sair do ar.

5) THE CATCH

Esta série nasceu com as expectativas de ter sido criada pelos produtores executivos dos sucessos "Grey´s Anatomy", "Scandal" e "How To Get Away With Murder", mas se mostrou de qualidade bastante inferior a elas. "The Catch" traz uma investigadora de fraudes que não consegue enxergar que está sendo enganada pelo próprio noivo, que planeja um grande golpe e usa a companheira para atingir seu objetivo. A trama, que recorre a elementos comuns em outras produções, não engrena nunca e torna a relação "gato e rato" do casal cansativa e pouco atraente. A protagonista, a atriz Mirelle Enos, pouco carismática, em nada ajuda o desenvolvimento da história, que também traz coadjuvantes inexpressivos.

6) LETHAL WEAPON

Adaptação do sucesso cinematográfico "Máquina Mortífera", a série traz Damon Wayans e Clayne Crawford como a nova dupla de policiais pronta para combater o crime. Se ficasse apenas na linha ação, explosões e perseguições, "Lethal Weapon" estaria mais condizente com sua proposta inicial e não estaria aqui. Mas, a série se "aventura" em tentar imprimir alguma complexidade ao drama dos personagens, mas fica pelo meio do caminho e soa apenas superficial. Esse, aliás, parece ser o problema da maioria das séries que estrearam na temporada. Como ação, "Lethal Weapon" não se daria tão mal, mas os criadores escolheram fazer um "papelão" com essa complexidade forjada e o resultado, infelizmente, é esse.

7) MACGYVER

Outra adaptação, desta vez de um sucesso da televisão entre os anos 80 e 90, não rendeu bons momentos em 2016. "MacGyver", a história do agente secreto de uma agência desconhecida, não mostrou ter criatividade para se reinventar. A trama deixa a clara impressão de datada, parada no tempo mesmo, e nem mesmo a tecnologia utilizada pelo personagem deixa o enredo mais moderno. A série ainda é sustentada por histórias bobas e óbvias, repletas de clichês narrativos que não animam nem o mais empolgado dos espectadores, Mais um erro do ano.

8) FEED THE BEAST

A premissa parecia promissora, mas o resultado foi muito fraco e a série já foi cancelada pelo canal norte-americano AMC. Remake de uma série dinamarquesa, a produção norte-americana trouxe David Schwimmer, o eterno Ross de "Friends", no papel de um viúvo que cria o filho após o trauma do atropelamento da esposa. A vida do protagonista é afetada pela chegada de um chef viciado em drogas, que é perseguido pela máfia. Os dois, então, decidem unir suas habilidades para realizar um sonho e abrir um restaurante. Com um desempenho bem abaixo do esperado, o roteiro mostrou ser bastante fraco e sem possibilidade de crescer. Os atores, se não estavam mal, também não contribuíram em nada com a trama, que, antes mesmo da decisão do canal, já parecia ter o fim anunciado.

9) NOTORIOUS

Como já disse anteriormente, e sendo obrigado a me repetir, a superficialidade esteve muito presente em 2016 e, mais uma vez, prejudicou uma boa ideia. "Notorious", série que mostra a relação entre uma produtora de um programa jornalístico e um advogado, que se ajudam em busca de notícias e casos interessantes, não engrenou. Se tivesse uma abordagem mais madura, com certeza, poderia ter um resultado diferente. Mas, as escolhas por subaproveitar o tema no roteiro e recorrer a clichês e até a um mistério desnecessário, fizeram com que a produção ficasse só na promessa. Uma série que, se fosse pensada para a televisão a cabo, poderia ter tido um resultado bem mais interessante.

10) THIS IS US

Queridinha de muitos, "This Is Us" é a história de uma família, contada fora da ordem cronológica, que conseguiu uma inexplicável indicação ao Globo de Ouro. Superestimada, a série, em momento nenhum, mostra que faz jus a isso. O roteiro é morno, traz poucos elementos capazes de aguçar a curiosidade do público e nem mesmo a surpresa final do primeiro episódio é capaz de deixar alguma vontade para acompanhar os próximos capítulos dessa família. É difícil imaginar como uma série assim pode crescer e ir além de uma temporada, mas a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood parece discordar e ver qualidades para colocá-la entre as melhores do ano. 

11) LIGAÇÕES PERIGOSAS

Coerência é fundamental para qualquer boa história, mas "Ligações Perigosas" decidiu passar longe dela. Escrita por Manuela Dias, inspirada no clássico de Choderlos de Laclos, a série trouxe uma produção caprichada e ótimos atores, mas foi prejudicada pela forma como foi contada. Uma história sensual como essa não poderia nunca ter sido retratada com o recato visto, mesmo sendo uma trama de época. A tensão sexual, que permeava todas as relações entre os personagens, foi sublimada e perdeu a força que a história precisava. No fim, acabou soando incoerente e, mesmo com boas qualidades, não atingiu o resultado que poderia e terminou enfraquecida pela ausência do principal elemento pedido pelo enredo: a sensualidade. Pela incoerência, acabou por aqui.

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