sábado, 7 de março de 2015

Boogie Oogie foi "novelão rasgado" com qualidades e defeitos

Divulgação/TV Globo
Em meio a discussões sobre o futuro da teledramaturgia e tentativas de inovar o gênero para prender a atenção do público, "Boogie Oogie", novela que ocupou o horário das seis da TV Globo nos últimos sete meses, veio com a proposta de valorizar o bom e velho "novelão", que usa e abusa de clichês para cativar a audiência. Com o último capítulo levado ao ar nesta sexta-feira (6), a trama de Rui Vilhena deixou marcas positivas, como sua agilidade e bons personagens, mas, por outro lado, também foi prejudicada por enredos repetitivos e arrastados. 
Assim como no primeiro capítulo, o final da trama começou com os preparativos para um casamento, desta vez de Sandra (Isis Valverde) e Rafael (Marco Pigossi). Com o vestido de noiva manchado após um acidente doméstico, a protagonista é obrigada a sair para comprar vinagre, o que removeria a mancha. Na rua, ela é abordada por Pedro (José Loreto), que sequestra a mocinha. Enquanto todos esperam a noiva na praia, ela é levada para um avião, que decola com o tanque de combustível quase vazio.
Sem saber pilotar direito, Pedro ameaça a vida dos dois com o voo, mas é auxiliado por Rafael a pousar a aeronave. Na descida, o avião perde o controle e, na aterrissagem, começa a pegar fogo. O mocinho até tenta salvar a amada, mas quem consegue tirar Sandra do local é Vitória (Bianca Bin), sua rival durante toda a novela. Pedro também consegue sair vivo do acidente, mas é preso pela polícia.
O último capítulo também trouxe a revelação de que o misterioso Corvo (Pepita Rodrigues), envolvido na trama do tráfico de diamantes que movimentou o folhetim, era responsável pela série de atropelamentos que tomou conta da novela. A criminosa, no entanto, saiu impune e ainda conseguiu colocar a culpa dos crime em Homero (Osvaldo Mil), que foi para a cadeia. 
O final de "Boogie Oogie" mostrou, ainda, o desfecho da grande vilã da trama, Carlota (Giulia Gam). Com seu segredo já desvendado, a megera achou ter convencido o filho Beto (Rodrigo Simas) a fugir com ela para o exterior levando todo o dinheiro da Vip Turismo, negócio da família Fraga. Carlota, no entanto, é passada para traz e acaba sem nenhum tostão. Arrependido, Beto também engana sua comparsa Solange (Priscila Fantin) e devolve todo o dinheiro para a família que o criou. Através de uma carta lida por Leonor (Rita Elmor), o público descobre fatos não revelados do segredo de Carlota, que mostram que a vilã sabia a localização das joias que ajudou a roubar anos antes.
Divulgação/TV Globo
Folhetim de estreia de Vilhena na Globo, "Boogie Oogie" teve como principal qualidade o despudor de ser um "novelão rasgado", que não esconde sua intenção de prender o espectador com recursos e tramas clichês. Seguindo uma fórmula, sem dúvida nenhuma, eficiente, a trama cumpriu seu papel de entreter. O tradicional uniu-se com a linguagem moderna da televisão de hoje e trouxe uma direção ágil, que movimentou a história. Nesse aspecto, o texto manteve a novela em um bom nível e contribuiu com a agilidade do enredo.
Os defeitos de "Boogie Oogie" começaram a aparecer há, mais ou menos, dois meses, quando a trama começou a "andar em círculos" e recorrer a repetitivos ganchos dramatúrgicos para esticar a novela. A paternidade de Vitória é um exemplo disso, já que a antagonista conviveu com dúvidas sobre a identidade do pai biológico até o fim. Ela tinha um pai, depois teve outro, quando surgiu um terceiro e, em seguida, foi revelado que o verdadeiro era o segundo. Tudo isso cansa o espectador e deixa claro que a trama precisa adiar seus acontecimentos para se manter no ar. A esperada revelação do segredo de Carlota também entendiou o espectador durante um tempo, para, no final, tudo ser explicado com uma facilidade que não justificou a enrolação.
É preciso destacar que o elenco foi um ponto de destaque da novela. O trio central tinha boa química em cena e ajudou a levar a história. Foram os papéis coadjuvantes, no entanto, que se destacaram mais, a exemplo de Giulia Gam, Betty Faria, Heloísa Périssé, Daniel Dantas, Fabiula Nascimento, Pepita Rodrigues e Giovanna Rispoli. Em uma participação especial, Joana Fomm roubou a cena e divertido como uma vilã verborrágica, mesmo que por poucos capítulos.
Em um balanço final, "Boogie Oogie" acertou em optar pelo folhetim clássico e em não tentar maquiar isso com investidas para inovar a narrativa. Muitas vezes, um clichê bem feito é melhor do que uma tentativa de inovação, que pode resultar confusa e afastar o público. O planejamento da trama, no entanto, prejudicou a história, deixando-a por muito tempo no ar e criando situações repetitivas. Se tivessem acabado alguns meses antes, "Boogie Oogie" teria um saldo mais positivo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário