segunda-feira, 21 de março de 2016

Passado dos personagens faz bem à segunda temporada de How To Get Away With Murder

Annalise Keating (Viola Davis) é conhecida por ser uma advogada implacável, que leva suas estratégias jurídicas às últimas consequências para vencer nos tribunais. Por traz de uma "fachada" dura, a personagem, no entanto, em momentos-chave, revela uma encantadora fragilidade. No segundo ano de "How To Get Away With Murder", que terminou na última quinta-feira (17), nos Estados Unidos, o foco da história, muito mais do que os mistérios que marcaram a série até aqui, foi a vida pessoal dos personagens centrais e as questões mal resolvidas que marcam suas personalidades.
No final da temporada, depois de ser procurada pelo promotor por interferir nas investigações do caso do assassino de um casal de milionários. Para tanto, Annalise decide desaparecer do radar da justiça e voltar a ser Anna Mae (seu nome verdadeiro) e resolve ir para a casa da mãe (Cicely Tyson). O retorno às origens faz com que a advogada tenha que lidar com questões mal resolvidas do passado, como as que envolvem o paí, que abandonou a família quando ela ainda era jovem, e com a irmã, claramente incomodada com a ausência de Anna Mae. A relação com a família, aos poucos, vai desnudando a personagens aos olhos do espectador e explicando muito da personalidade da protagonista.
Ao longo da temporada, e também no último episódio, foram revelados detalhes sobre a relação de Annalise e Wes (Alfred Enoch). A ligação deles, que começa com o assédio da advogada para que a mãe do garoto fosse testemunha em um caso há dez anos, ganha novos contornos com a explicação de que a advogada sabia das circunstâncias da morte da mulher. Mais do que isso, Annalise acabou escondendo a verdadeira identidade do pai de Wes, concebido a partir de um estupro. Um dos ganchos para a terceira temporada diz respeito exatamente ao encontro do estudante de direito com o pai e os novos mistérios que isso pode trazer.
Depois de alguns episódios vendo que, na mesma época da morte da mãe de Wes, Annalise estava grávida, o público também descobre o que aconteceu com o filho da advogada. Também é revelado o papel crucial de Frank (Charlie Weber) nesses acontecimentos, originados a partir da traição do "capanga" da protagonista. 
Por fim e de forma rápida, diante de tantos acontecimentos, o público também descobre que Caleb (Kendrick Sampson) é o verdadeiro assassino da temporada, que matou os pais e a tia no início da temporada. Mais do que isso, ele também foi responsável por informar a polícia sobre o envolvimento de Annalise e seus alunos no caso. Quando tudo é revelado, o rapaz acaba se suicidando.
Se tem uma coisa que "How To Get Away With Murder" sabe fazer, e nesta temporada não foi diferente, é renovar os ganchos e surpresas ao longo dos episódios. A história continuou prendendo o espectador, com um pouco menos de força do que no primeiro ano, mas, ainda assim, de forma eficiente. 
A principal qualidade da segunda temporada foi o foco no passado dos personagens, que acabou explicando questões mal resolvidas das personalidades deles. A decisão fez com que os personagens centrais ganhassem novos contornos e complexidade. Por conta disso, foi coerente que os crimes que movimentam a vida profissional de Annalise ficassem em segundo plano no fim.
Está quase redundante, mas ainda é válido destacar a atuação de Viola Davis, uma das maiores atrizes da atualidade. É notável a capacidade da atriz em humanizar a personagem, emprestando contradições e fragilidades que só engrandecem Annalise. O resto do elenco continua com um bom desempenho, especialmente Liza Weil e Charlie Weber, que ainda podem ser melhor aproveitados pela trama. Ainda é importante destacar a participação mais do que especial de Cicely Tyson, que volta como a mãe da protagonista em outro momento crucial da história.
Mesmo que sem o mesmo frescor da primeira temporada, "How To Get Away With Murder" cumpriu bem com o papel de envolver o público nesse novo ano e, mais do que isso, apostou certo nas nuances e passado dos personagens para movimentar a trama. O mais curioso é ver que, assim como no final do primeiro ano, a série termina deixando vários pontos de interrogação sobre como a história será conduzida daqui para frente. É esperar para ver!

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