segunda-feira, 17 de abril de 2017

"13 Reasons Why" aborda temas necessários, mas escorrega no desenvolvimento da trama

É compreensível o barulho feito pelo mais recente lançamento do Netflix no mundo das séries, o drama adolescente "13 Reasons Why". A história, que foca em temas como bullying e suicídio, é universal e ganha eco em centenas de outros jovens, que vivem ou viveram problemas semelhantes. Esse é, sem sombra de dúvidas, o grande mérito da atração. Há, no entanto, alguns problemas no andamento da trama, que impedem que a produção seja avassaladora.
Baseada no livro "Os Treze Porquês", escrito por Jay Asher, a primeira temporada é contada do ponto de vista de Hannah (Katherine Langford), uma adolescente que decide cometer suicídio. Algum tempo depois, Clay (Dylan Minnette) recebe sete fitas cassetes com gravações da garota, que explicam os motivos para ela ter tomado tal decisão. Cada lado das fitas é dedicado a uma pessoa, que ela responsabiliza pelo acontecido.
Junto com as fitas, Hannah deixa instruções para que os citados nas gravações cuidem para que as fitas sejam passadas para os outros. Ela também orienta que aquelas pessoas sigam um mapa e visitem locais que ajudariam a entender melhor a situação. A garota ainda se certifica de que os citados não possam ignorar ou se desfazer da fitas e, por conta disso, Clay passa a ser seguido por Tony (Christian Navarro), que prometeu guardar os segredos de Hannah.
Os relatos da adolescente mexem muito com Clay, que começa a pressionar os outros citados a revelar o conteúdo das fitas. Nessa jornada, o garoto acaba se colocando no lugar da amiga em muitas situações e entra em contato com diversos dramas comuns aos adolescentes, como bullying, assédio, descoberta da sexualidade e, até mesmo, estupro. Vou parando por aqui para evitar qualquer spoiler sobre a série.
Como já dito, a grande qualidade de "13 Reasons Why" é a proposta de discutir temas necessários e muito sérios, comuns a uma quantidade absurda de jovens no mundo todo. Sem qualquer didatismo ou julgamento, a série acaba prestando um serviço importante a outros que, por ventura, estejam na mesma situação. Assuntos como suicídio e estupro, apesar de pesados, são tratados com muita nobreza e sem exageros, através de cenas impactantes e, ao mesmo tempo, bastante delicadas.
A série, no entanto, se enfraquece em três pontos fundamentais. O primeiro é a construção dos episódios, que se mostram arrastados e repetitivos ao longo da temporada. Os capítulos, de cerca de uma hora cada, claramente poderiam ser mais enxutos e objetivos, mas, para criar esse "padrão", são utilizadas muitas situações repetitivas, que criam "barrigas" na história. É bem verdade que os capítulos finais melhoram nesse aspecto, porém, mesmo assim, é um ponto fraco para o desenvolvimento da série.
Outra característica que enfraquece "13 Reasons Why" e, particularmente, me incomoda muito é a escolha da trama em criar uma conspiração contra Clay, que passa a buscar, de alguma forma, fazer justiça por Hannah. As sequências elaboradas para mostrar os demais adolescentes citados nas fitas contra o protagonista, executando planos para fazê-lo desistir de entregar a todos, parecem irreais e dão um tom quase que de "Malhação" à história.
Por fim, faz falta, em alguns momentos, que os temas e personalidades dos personagens ganhem abordagens mais profundas. O roteiro parece ir até certo ponto, mas acaba recuando quando aparecem novos caminhos para mostrar como aqueles dramas afetam os adolescentes.
O elenco, especialmente os jovens, em quem se concentram os grandes momentos da série, é bastante coeso e contribuí positivamente para a produção. Os destaques ficam com Katherine Langford, Dylan Minnette, Miles Heizer, Brandon Flynn, Alisha Boe e Michele Selene Ang. Entre os adultos, quem se sobressai é Kate Walsh, que vive a mãe de Hannah e é responsável por momentos delicados da série.
Pesando prós e contras, "13 Reasons Why" não chega a ser uma série ruim, especialmente pela relevância dos temas abordados e discussões provocadas. Mesmo assim, fica a impressão que ela poderia ter ido ainda mais além se os erros no desenvolvido da trama tivessem sido sanados a tempo. Caso haja uma segunda temporada, como fica sinalizado, esses pontos fracos, com certeza, precisam receber atenção redobrada.

13 REASONS WHY (primeira temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★ (regular)

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