quinta-feira, 26 de maio de 2016

Gotham diverte e se apresenta como a melhor empreitada da DC na televisão

Desde que virou moda (novamente) adaptar quadrinhos para a televisão, a DC Comics tem levado algumas de suas histórias para as emissoras norte-americanas, algumas delas mais bem sucedidas que outras, é bem verdade. No cenário atual, a melhor delas, sem sombra de dúvidas, é "Gotham", série cujo final da segunda temporada foi exibido nesta segunda-feira (23). O aparecimento de vilões conhecidos do universo "Batman" e o tom adotado pela narrativa tiveram um importante papel e contribuíram para que isso acontecesse.
Com uma temporada dividida em duas partes, o que, aliás, já acontece com muitas produções, por conta do recesso de episódios inéditos especialmente entre os meses de dezembro e janeiro, "Gotham" trouxe, na primeira metade, a proposta que contar a origem de alguns dos mais conhecidos vilões da série de quadrinhos. Nessa fase, inclusive, foi exibido um dos episódios mais interessantes da atração, quando são mostrados os acontecimentos que, mais adiante, vão explicar o aparecimento do Coringa. Nessa mesma fase, o público foi apresentado a Theo Galavan (James Frain), o descendente de uma lendária família de Gotham City que volta para se vingar dos Wayne, mais especificamente de Bruce (David Mazouz). Nesse ponto, o enredo cansou um pouco e mostrou, em alguns momentos, que estava "andando em círculos".
Já em sua segunda metade, "Gotham" veio com a proposta de mostrar os experimentos realizados no manicômio Arkham Asylum, instituição chefiada por Hugo Strange (BD Wong). Ali, são realizados testes para que mortos possam voltar à vida, mas o principal desafio é conseguir que eles revivam com suas memórias intactas. Uma das primeiras "cobaias" de Strange é Victor Fries (Nathan Darrow), um homem que buscava a cura da doença da mulher e criou uma fórmula que podia manter corpos congelados. Erros cometidos por ele, no entanto, fazem com que ele não atinja seus objetivos, mas, com o apoio de Strange, Fries acaba se tornando Mr. Freeze.
Outra vítima dos experimentos de Strange é Theo Galavan, que é ressuscitado e convencido de que atende pelo nome de Azrael, um guerreiro lendário. Ele é recrutado para matar James Gordon (Ben McKenzie), mas acaba lembrando que uma de suas missões, quando vivo, era matar Bruce Wayne. Nessa altura, o garoto já está investigando as experiências feitas em Arkham, que começaram a partir de um programa subsidiado pela Wayne Enterprises. Com a ajuda de Gordon, ele acaba descobrindo que todos os acontecimentos possuem uma relação com o assassinato de seus pais.
O final da segunda temporada ainda traz de volta a vilã Fish Mooney (Jada Pinkett Smith), morta na temporada passada, mas cujo corpo foi preservado por Strange. Ressuscitada, ela se torna a única "cobaia" que revive com a memória intacta. As experiências também fazem com que ela adquira a habilidade especial de convencer as pessoas a fazerem o que ela deseja. isso graças a um psicotrópico aplicado na pele. 
Já disse, em outras oportunidades, que sempre fui reticente sobre "Gotham", especialmente sobre o tom usado para narrar a história. Ao final desta temporada, digo que já virei cativo da série, que tem se mostrado um bom divertimento. A principal qualidade da produção é justamente o que mais me preocupava. "Gotham" fugiu do tom sério, muito utilizado em outras atrações do gênero, e incorporou uma narrativa "nonsense", com elementos insanos e, em certo ponto, fantasiosos, se diferenciando das demais. Isso permitiu, inclusive, que muitos vilões e histórias fossem melhor aproveitados, uma vez que a trama original é composta por personagens estilizados e afetados.
Foi importante para a série, neste fim de temporada, ter dado um novo gancho para a investigação de Bruce sobre a morte dos pais. Superadas as últimas descobertas, a trama ganha fôlego com a descoberta do Conselho, um grupo de pessoas responsável por determinar o destino do que acontece em Gotham City. 
Diferente de "Flash", "Arrow", "Supergirl" e "Legends of Tomorrow", a DC pode olhar "Gotham" como sua melhor empreitada da TV. Se distanciando do habitual no gênero e imprimindo um tom particular e interessante, a série se consolida como um bom divertimento, mas precisa manter suas histórias nesse ritmo se não quiser se desgastar fácil. Longe dos enredos infantilizados e pobres de narrativa, apresentados nas outras séries citadas, "Gotham" e seus vilões insanos se destacam e abrem caminho para uma nova temporada.

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