quarta-feira, 11 de maio de 2016

The Good Wife conclui transformação da protagonista e termina coerente

Flashs, cliques, agitação, vozes descontroladas ao fundo, um microfone ao fundo. Nesse ambiente, um casal caminha até a extremidade de uma sala e se posiciona diante das câmeras para um pronunciamento. No centro no palco, um homem público prestes a pedir desculpas a população por sua conduta. Ao lado dele, a esposa dá apoio e tenta transmitir alguma força naquela situação. Essa é a descrição de uma parte da sequência que deu início à série "The Good Wife", Agora, sete temporadas depois, o momento se repete no fim, porém, com uma diferença fundamental: o caminho percorrido!
Antes de chegar ao derradeiro momento, é necessário entender o contexto. O governador Peter Florrick (Chris Noth) está enfrentando, agora, a acusação de ter interferido em uma investigação, na época em que era procurador, para favorecer um doador de campanha. Prestes a firmar um acordo com a acusação, para não ser condenado a uma pena maior, ele vê a possibilidade do julgamento mudar quando o júri se mostra interessado em uma evidência quase imperceptível. Diante disso, Alicia Florrick (Julianna Margulies), a esposa e advogada do governador, vê nessa brecha a chance de reverter a situação do marido/cliente.
Em meio a algumas reviravoltas, que alteram os resultados do julgamento, Alicia, então, com a ajuda do investigador Jason (Jeffrey Dean Morgan), descobre que provas, até o momento consideradas desaparecidas, poderiam ser encontradas para ajudar no caso. A tentativa, no entanto, é frustrada, já que as evidências acabam colocando Peter em uma situação mais complicada. A prova é utilizada pela acusação e, para tentar reverter o resultado daquele indicativo da culpa do governador, a protagonista decide agir contra a sócia Diane Lockhart (Christine Baranski).
A jogada surte efeito e, com isso, Alicia consegue um acordo vantajoso para que o marido não vá para a cadeia. Mesmo assim, a advogada não consegue negociar a permanência de Peter no cargo. A renúncia do governador é marcada e a esposa, repetindo a sequência inicial da série, acompanha o marido para dar apoio. A atitude da protagonista, agora, no entanto, é outra e ali ela segue em direção a um novo caminho: a advogada escolhe a si mesma e, decidida a se divorciar, caminha em direção a uma vida ao lado do novo amor, o investigador Jason. Ainda será tempo de Alicia correr atrás da felicidade?
Com a exibição do episódio final, que ocorreu no domingo (8), nos Estados Unidos, "The Good Wife" fecha o ciclo proposto lá no início. A história sempre foi sobre a transformação de uma mulher, que começa apenas como uma "boa esposa" e termina como uma mulher crível, independente, construída a partir das escolhas que fez da vida, algumas delas, é verdade, nem tão corretas. Ao trair
Diane, a protagonista concluiu a transformação proposta na série: de vítima dos malfeitos de Peter, ela passa a ser algoz e, assim, se aproxima das escolhas egoístas do marido.
Produtores e roteiristas da série, Robert e Michelle King concederam uma entrevista em que destacam a cena que simboliza a trajetória da personagem. Quando recebe um tapa de Diane, Alicia, que também deu um tapa no marido no primeiro episódio, é chamada à realidade e às consequências dos seus atos. Ali, ela entende o caminho que percorreu.
A vida amorosa de Alicia também é colocada "na mesa" no fim. Suas escolhas sentimentais estão diretamente ligadas ao julgamento de Peter. Ela escolhe se dedicar, mais uma vez, ao marido, mesmo que jure de pés juntos não querer ficar mais com ele, ou segue para viver a história de amor com Jason? Não, eu não vou dar esse spoiler, mas posso dizer que isso também fica definido na sequência da renúncia do governador. Até chegar ao desfecho, porém, a protagonista testemunha a "volta" de Will Gardner (Josh Charles), interesse amoroso da personagem na maior parte da série, mas que pediu para deixar o elenco e foi morto na quinta temporada.
Com um final controverso, que dividiu opiniões, "The Good Wife" reforçou ser uma série madura, inspirada na vida, tortuosa e nem sempre feliz quando queremos. O roteiro manteve sua excelência ao longo das sete temporada e conseguiu ser constante e coerente como poucas vezes se viu em uma produção do gênero. Não há um episódio desinteressante e, nem mesmo os percalços causados pela saída de personagens centrais, fizeram a série perder a qualidade.
Do elenco excelente, é necessário reverenciar o trabalho de Julianna Margulies, Matt Czuchry, Christine Baranski, Archie Panjabi, Josh Charles, Chris Noth, Zach Grenier e Alan Cumming (o espetacular Eli Gold). A série ainda contou com participações especiais marcantes, como Michael J, Fox, Matthew Goode, Jeffrey Dean Morgan, Nathan Lane, Gary Cole e Carrie Preston.
Uma série tão boa quanto "The Good Wife" sempre vai fazer falta na TV, mas também é muito bom poder ver o fim de um produto "redondo", completo, que mostrou qualidade e soube contar uma história e apresentar o ciclo de transformação de uma personagem. O final, deixado em aberto, permite que o espectador possa refletir sobre tudo que foi visto e, assim, entender que o importante é o caminho, não o destino alcançado.

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