segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Repetição de fórmula e enredo fraco mostram que "Once Upon a Time" não deveria ter continuado

No mundo das séries, uma pergunta sempre aparece: é melhor terminar por cima, com coerência, ou se prolongar em tramas desnecessárias, com possibilidade de desgaste? Antes do fim da sexta temporada de "Once Upon a Time", com o anúncio da saída da protagonista e de outros personagens importantes, a série passou por esse questionamento e os criadores da atração decidiram prosseguir com um novo arco narrativo. Ainda é cedo para um veredito definitivo, mas, a julgar pelo primeiro episódio do sétimo ano, a resposta para a questão deveria ter sido outra.
Diante da anunciada saída de Jennifer Morrison e da "limpa" feita no elenco, para a renovação da história, o que se viu nos primeiros momentos da nova temporada foi apenas a repetição da fórmula que consagrou a série. Agora, no entanto, há uma diferença: um enredo extremamente frágil, que torna o recomeço ainda mais forçado e menos interessante.
Anos depois de a maldição de Storybrooke ter sido quebrada, Henry Mills, agora vivido por Andrew J. West, vive em Seattle e continuou sua tarefa de escrever os finais felizes dos personagens de contos de fadas. Assim como no início da história original, uma criança batendo à porta do protagonista desencadeia o enredo da temporada. Agora, Lucy (Alison Fernandez) aparece dizendo ser filha de Henry, que não se lembraria do fato por conta de uma nova maldição.
Os personagens infantis, agora, estão presos em um bairro de Seattle e ignoram suas existências anteriores por conta de Lady Tremaine (Gabrielle Anwar), que, no mundo real, se tornou uma poderosa empresária, que adquire imóveis e poder na região. O principal alvo dela é Jacinda (Dania Ramirez), mais conhecida como Cinderela nos contos de fadas.
À primeira vista, a nova maldição também parece ter afetado Regina (Lana Parrilla), Gancho (Colin O´Donoghue) e Rumplestiltskin (Robert Carlyle), que assumiram novas identidades na trama.
Acredito que o grande problema da estreia de "Once Upon a Time" não tenha sido a repetição da fórmula em si, uma vez que o recurso poderia ser usado, de forma afetiva, para amarrar as seis temporadas anteriores a este recomeço. A empreitada, no entanto, fracassa logo de cara e por um motivo bastante óbvio: não há um enredo forte e coerente que sustente esse recurso. Mesmo com as pontas soltas, deixadas propositalmente para serem amarradas ao longo dos episódios, o roteiro por escolhas e argumentos frágeis, que mais enfraquecem do que alimentam os conflitos da temporada.
A concepção dos personagens também parece um erro difícil de ser consertado. Além não terem o mesmo carisma, os novos tipos criados nem de longe parecem insinuar a complexidade vista nos anos anteriores. A ambientação da trama em Seattle, uma cidade maior do que a fictícia Storybrooke, também não parecem contribuir em nada com a série.
De certa forma, apesar das referências, pode-se dizer que a "Once Upon a Time" original foi encerrada na temporada passada e, agora, uma nova série se apresenta. Levando em consideração os primeiros momentos, a repetição da fórmula resultou em um enredo fraco e pouco interessante, com personagens pouco inspirados. Na hora de se questionarem sobre parar ou continuar, pela coerência do universo criado, talvez os criadores deveriam ter optado pela primeira opção. Como isso não aconteceu, resta vez de que forma a série vai caminhar nesse novo ano.

ONCE UPON A TIME (sétima temporada)

ONDE: ABC (Estados Unidos) e Sony (Brasil; ainda sem data de estreia)

Nenhum comentário:

Postar um comentário