quarta-feira, 4 de outubro de 2017

"The Gifted" explora conflito dos mutantes melhor que todos os filmes dos X-Men

O conflito entre mutantes e o resto da humanidade, que transmite mensagens sobre intolerância às diferenças, sempre foi a essência dos "X-Men". Curiosamente, o cinema nunca conseguiu explorar bem esse aspecto do enredo, reduzindo a história dos mutantes a meros filmes de heróis, nem tão bons assim, diga-se de passagem. Apenas do episódio de estreia, a série "The Gifted" não só expande esse universo para a televisão, como também busca a complexidade da trama ignorada pela sétima arte.
A produção da série continua sendo da Fox, também responsável pelos filmes. A direção do primeiro episódio fica por conta de Bryan Singer, que capitaneou a maioria dos longas dos mutantes. Os pontos em comum com a série, no entanto, param por aí, além de citações do roteiro sobre a ausência do grupo do professor Charles Xavier.
A trama de "The Gifted" se passa em uma época em que as leis estão mais rígidas e a intolerância da população em relação aos mutantes está mais acentuada. Nesse cenário, um grupo de resistência mutante tenta fugir das autoridades, que os classificam como ameaças. Em uma dessas fugas, o grupo conhece Blink (Jamie Chung), que consegue se locomover através de portais. A tentativa de salvá-la, no entanto, faz com que Lorna (Emma Dumont), mais conhecida como Polaris.
Enquanto isso, os filhos do promotor Reed Strucker (Stephen Moyer) passam a ser perseguidos pelo Serviço Sentinela, uma agência federal criada para cuidar de incidentes relacionados a mutantes. Os oficiais são alertados após a revelação dos poderes de Andy (Percy Hynes White) em um baile da escola. Com a ajuda da irmã Lauren (Natalie Alyn Lind), ele consegue fugir do local e pedir a ajuda da família.
Para tentar salvar os filhos, Reed e a esposa Kate (Amy Acker) decidem procurar o grupo de resistência mutante para tentar fazer com que os dois saíam do país.
A primeira diferença entre "The Gifted" e o que já vimos dos "X-Men" no cinema é a estética, mais "sisuda" e "sombria", que encaixa muito bem com a intenção da série de aprofundar o universo dos mutantes. A apresentação da trama e dos personagens, no primeiro episódio, deixa transparecer o desejo em buscar aspectos mais complexos da história, algo encarado de forma rasa nos filmes.
Por trás do faceta heroica dos "X-Men", sempre esteve presente uma proposta de discutir algo muito necessário nos dias de hoje: a intolerância. A mutação dos personagens e a reação da humanidade a essas diferenças podem servir de analogia para debatermos preconceito e as dificuldades de aceitação de tudo aquilo que foge dos conceitos de "normalidade" e "padronização". Essa é a principal qualidade da série, que aborda o tema, no primeiro episódio, de forma interessante e promissora, muito melhor do que em anos de "X-Men" nos cinemas.
O formato talvez seja a resposta para justificar a melhor exploração desse universo. Na televisão, com mais tempo e oportunidade para desenvolver a narrativa, a série pode acabar conquistando o espaço ainda não explorado da complexidade da trama.
"The Gifted" ainda tem uma longa trajetória até poder ser considerada um sucesso, mas já estreia mostrando que pode um lugar ainda pouco explorado pela franquia dos mutantes no audiovisual. Espero que continue assim!

THE GIFTED (primeira temporada)

ONDE: FOX (já em exibição no Brasil)

QUANDO: Todas as terças-feiras, às 22h30

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