Aquele Beijo de despedida

Um beijo de despedida com sabor de comédia, romance e leveza. Foram esses os ingredientes que o autor Miguel Falabella utilizou para escrever "Aquele Beijo", novela do horário das sete que terminou nesta sexta-feira (13).
No capítulo final, Cláudia (Giovanna Antonelli) e Vicente finalmente se casam. Mas antes, ela teve que se livrar do ex-noivo Rubinho (Victor Pecoraro), que tentou sequestrá-la, e chegou na igreja de camburão, escoltada por policiais.
Ainda no último capítulo, Maruschka (Marília Pêra), que havia perdido toda sua fortuna e ido morar na favela "Covil do Bagre", se regenera no fim. Ela finalmente demonstra aceitar Ana Girafa (Luis Salém), o filho que ela entregou para adoção no passado e que virou um travesti. Numa bonita cena, a empresária finalmente corrige seus erros e viaja para a Europa. A costureira Marisol (Mary Sheila) se torna uma famosa estilista e vai morar na Itália. Raíssa (Maria Maya) e Sebastião (Raoni Carneiro) fazem da confecção "Quase Shunel" um sucesso e ficam com a "Comprare", antiga loja administrada por Maruschka.
A bilionária Deusa (Zezé Barbosa), depois de se livrar das vilanias de sua filha Grace Kelly (Leilah Moreno) e de sua irmã Diva (Elisa Lucinda), vai embora para Paris com as amigas Eveva (Maria Gladys) e Otília (Patrícia Bueno). Grace Kelly, depois de ficar cinco anos na cadeia por tentar matar a mãe, se torna um prostituta e morre pobre. Joselito (Bruno Garcia) deixou de ser importunado pelo espírito de Mãe Iara (Cláudia Jimenez) e teve um final feliz ao lado da portuguesa Amália (Marina Mota).
"Aquele Beijo"foi, de um modo geral, um acerto de Miguel Falabella. O autor soube mesclar bem a comédia e o romance, resultando em uma trama leve e espirituosa. A ideia de usar um narrador para pontuar alguns momentos da história se mostrou muito boa. Isso porque Falabella foi esperto o suficiente para não usar a narração de maneira óbvia, relatando aquilo que estava acontecendo na cena. O autor preferiu usar suas falas para acrescentar comentários e pensamentos a mais nas cenas.
Como não podia deixar de ser, Falabella usou pitadas de seu humor irônico para contar algumas histórias da novela. O núcleo da falsa vidente Iara e da família de Olavo (Ernani Moraes), Marieta (Renata Celidonio) e Taluda (Priscilla Marinho) divertiu muito a trama. A atriz portuguesa Maria Vieira (que interpretou a personagem Brites) e as brasileiras Thelma Reston (intérprete de Violante) e Jacqueline Laurence (Mirta) estiveram especialmente engraçadas. Diogo Vilela (como Felizardo) e Stella Miranda (Locanda) também roubaram a cena.
O casal principal de "Aquele Beijo" ficou meio apagado em meio à tantos personagens carismáticos e marcantes. As idas e vindas de Cláudia e Vicente ficaram bem prejudicadas pela saída da antagonista Lucena (Grazi Massafera) e pelo fraquíssimo desempenho de Victor Pecoraro. Mas, em compensação, Miguel Falabella conseguiu algo muito difícil e que muitos autores de novela buscam: ele conseguiu criar protagonistas críveis, que fossem virtuosos mas, ao mesmo tempo, muito humanos. Cláudia, por exemplo, fugiu do esteriótipo das clássicas mocinhas de folhetins (bobas, frágeis e "açucaradas") e se mostrou moderna e independente.
Sempre gostei dos textos de Miguel Falabella. O autor sabe criar histórias muito engraçadas, irônicas e inteligentes, características essas que fazem muito bem ao horário das sete! Suas novelas podem não ser marcantes e emblemáticas, mas transparecem a intenção de divertir o telespectador. E isso, ele conseguiu durante todo o decorrer da novela!

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