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"Game of Thrones" queria "mitar", mas acaba apressada e desvalorizando personagens

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Antes mesmo de chegar ao episódio final, exibido neste domingo (19), "Game of Thrones" já estava com lugar garantido entre as grandes séries da televisão mundial, espaço, diga-se de passagem, conquistado por inúmeras qualidades e a capacidade de arrebatar milhares de espectadores. A produção, baseada até certo ponto nos livros de George R.R. Martin, tem um diferencial: talvez seja a que mais se beneficiou da repercussão alcançada nas redes sociais.  Tentando aqui fazer um exercício de memória, não consigo, no momento em que escrevo essas linhas, pensar em outra, no panteão das grandes, que tenha lidado com esse fenômeno de forma tão intensa. "The Sopranos" e "Friends", por exemplo, terminaram antes que essas redes virassem o que são. A excelente "Breaking Bad", justiça seja feita, estourou mais e virou cultuada depois que acabou. Já "Game of Thrones" foi erguida ao Olimpo, por likes e tuítes, antes do fim, mas, para a história, iss...

"Scandal" encerra trajetória com desfecho aberto e coerente para os personagens

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Ao longo de sete temporadas no ar, "Scandal" sempre mostrou que não resistia a uma boa conspiração pelo poder em Washington. Foram inúmeras as tentativas de políticos, agentes secretos e outras figuras públicas para conquistarem o centro político dos Estados Unidos, e, consequentemente, toda a nação. Para encerrar essa trajetória na TV, nada mais certo do que dar um desfecho ao último deles e definir o futuro dos personagens. Mais do que nunca, Olivia Pope (Kerry Washington) esteve no centro dos conflitos da sétima e última temporada. Depois de voltar à Casa Branca como chefe de gabinete de Mellie (Bellamy Young), a protagonista passou por mudanças ao ceder aos efeitos de estar "no topo". Também como a nova Comandante do B-613, a organização secreta apontada como a verdadeira sustentação do governo, Olivia conspirou e armou para conseguir se manter no controle das decisões políticas, indo frequentemente contra os plano da presidente. Após passar um tempo prat...

"Bates Motel" chega ao fim respeitando "Psicose", mas indo muito além da trama original

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Não havia muitos segredos, já que a trama do filme e do livro "Psicose" é uma das mais conhecidas da história do entretenimento. Isso complicava ainda mais a tarefa de recriar esse universo, mas, agora que já foi encerrada, é possível dizer que "Bates Motel", série que funcionava como um prelúdio da original, cumpriu com louvor a tarefa dada. Mais do que isso, sempre com respeito à história-base, a produção soube caminhar com as próprias pernas e ir muito além do mostrado anteriormente. Na quinta e última temporada da série, que terminou na última segunda-feira (24), finalmente os espectadores viram a história chegar aos fatos retratados da obra literária e no clássico de Alfred Hitchcock. Depois da morte de Norma (Vera Farmiga), Norman (Freddie Highmore) se isola, cada vez mais, em seu casarão e, por conta de seus problemas mentais, passa os dias acreditando ainda estar na presença da mãe. Solitário, Norman conhece Madeleine (Isabelle McNally), a dona de u...

"The Good Wife" conclui transformação da protagonista e termina coerente

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Flashs, cliques, agitação, vozes descontroladas ao fundo, um microfone ao fundo. Nesse ambiente, um casal caminha até a extremidade de uma sala e se posiciona diante das câmeras para um pronunciamento. No centro no palco, um homem público prestes a pedir desculpas a população por sua conduta. Ao lado dele, a esposa dá apoio e tenta transmitir alguma força naquela situação. Essa é a descrição de uma parte da sequência que deu início à série "The Good Wife", Agora, sete temporadas depois, o momento se repete no fim, porém, com uma diferença fundamental: o caminho percorrido! Antes de chegar ao derradeiro momento, é necessário entender o contexto. O governador Peter Florrick (Chris Noth) está enfrentando, agora, a acusação de ter interferido em uma investigação, na época em que era procurador, para favorecer um doador de campanha. Prestes a firmar um acordo com a acusação, para não ser condenado a uma pena maior, ele vê a possibilidade do julgamento mudar quando o júri se...

"Pé na Cova" ri das peculiaridades humanas e provoca reflexão sobre passagem do tempo

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Divulgação/TV Globo Era só mais um dia no Irajá. Ruço (Miguel Falabella) levanta da cama e ergue as portas de sua funerária. Ali, lida com todos os tipos de pessoas e situações: tem uma filha que ganha a vida com pornografia e sexo na internet; um filho vereador, que sempre está pensando na próxima oportunidade para desviar recursos públicos; uma cunhada homossexual e um vizinho travesti, que o obrigam a enfrentar seus preconceitos; uma amiga diagnosticada como louca, que vive em uma linha tênue entre realidade e delírio; e uma esposa que encara a vida bêbada de gim. Mas, como já dito, esse era só mais um dia no Irajá de "Pé na Cova", série que encerrou sua trajetória na televisão nesta quinta-feira (7), depois de cinco temporadas. A reunião de tantos tipos diferentes não estava ali por mero recurso cômico. Escrita por Falabella e sua equipe de colaboradores, a série retornou a um tema comum na carreira do autor: as peculiaridades humanas e o respeito às diferenças. Dia...

Final preguiçoso não valoriza boa trama central e "A Regra do Jogo" termina enfraquecida

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Divulgação/TV Globo "Vocês não conseguem entender a abrangência do meu projeto político? Não conseguem entender que gente como eu, como nós, não pode ficar à mercê dessa politicalha que está aqui no país? Não sabe que a gente não pode ficar à mercê dessas leis que só protegem a bandidagem, que só protegem a canalhas?". Esse discurso foi feito por Gibson (José de Abreu), o milionário de aparente reputação ilibada que se revelou o chefe de uma organização criminoso, criada com a justificativa de corrigir os problemas do Brasil e apresentar uma solução à nossa sociedade.  Pode parecer coisa de novela, mas a fala de Gibson, o Pai da facção de "A Regra do Jogo", folhetim que terminou nesta sexta-feira (11), na TV Globo, se parece com os argumentos de muitas figuras da sociedade brasileira atual, que justificam corrupção, condutas antiéticas e outros desvios de caráter com o discurso de estarem "pensando no país e ajudando o povo a combater o verdadeiro in...

"Além do Tempo" termina sem a mesma força da primeira fase

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Divulgação/TV Globo Mesmo que inovadora, a tarefa da autora Elizabeth Jhin era árdua. Depois de uma ótima primeira fase, que se passava no século XIX e durou metade do folhetim, a novelista precisava arrumar uma forma de reconquistar a atenção do público, que seria apresentado, praticamente, a uma nova novela e personagens com características diferentes. Com a exibição do último capítulo, nesta sexta-feira (15), "Além do Tempo" mostrou que, mesmo conservando boas qualidades da primeira metade, sentiu os efeitos da decisão de criar uma "nova" história. A segunda fase da trama das 18 horas se passou no sul do Brasil, nos dias atuais, e voltou a contar a história de amor de Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso), que, 150 anos antes, tiveram seu romance interrompido por uma tragédia. Reencarnados, eles voltam a se encontrar e enfrentam rivalidades já conhecidas para ficarem juntos. Além das maldades da vilã Melissa (Paolla Oliveira), inconformada com o ...

Transformações sutis no fim de "Downton Abbey" deixam espectador ávido por continuidade da série

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A série inglesa "Downton Abbey" sempre baseou seus acontecimentos nas transformações pelas quais trabalhadores e aristocratas passaram a partir de 1912, com mudanças nos hábitos dos mais ricos e na ascensão dos mais pobres. Seis temporadas depois, a produção chega ao fim com um episódio que deixa as alterações definitivas dos personagens apenas insinuadas, deixando o espectador ávido por mais capítulos da história. Encerrando sua trajetória de sucesso em um já clássico especial de Natal, exibido na Inglaterra na noite de 25 de dezembro, "Downton Abbey" trouxe os desfechos dos habitantes, dos andares de cima e de baixo, da imponente propriedade britânica. Depois do final feliz de Lady Mary (Michelle Dockery), que se casou com Henry Talbot (Matthew Goode) e seguiu administrando as terras da família ao lado do cunhado, Tom (Allen Leech), foi a vez de Edith (Laura Carmichael) ter sua cota de felicidade preenchida na série. Depois de se afastar de Bertie (Harry Hadde...

Direção primorosa e texto sofrível fazem "Verdades Secretas" ir do céu ao inferno

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Divulgação/TV Globo A partir da exibição dos créditos finais do último capítulo de "Verdades Secretas", a novela das onze da TV Globo que terminou nesta sexta-feira (25), imediatamente já comecei a pensar de que forma eu começaria esse texto. A noite passou, o sono veio e, ao acordar pela manhã, eu só conseguia pensar em como iniciar esse balanço sobre o folhetim de Walcyr Carrasco. A dificuldade, desta vez, se dá por um motivo: foi um trabalho de extremos, com qualidades muito valiosas, mas, também, com defeitos gritantes e muito incômodos. Em um último capítulo nada moralista, o que conta pontos a favor do folhetim, o autor encerrou a história do trio Angel (Camila Queiroz), Alex (Rodrigo Lombardi) e Carolina (Drica Moraes), começando com o suicídio desta última após descobrir o caso da filha com o marido. Após um período morando com o pai (Tarcísio Filho), Angel vai embora para Angra dos Reis com Alex, para começarem uma vida juntos. Mas, aparentemente culpada pelo ...

Final de "Revenge" decepciona e desvaloriza confronto entre protagonistas

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"Quando iniciar uma vingança, cave duas covas". A frase de Confúcio iniciou a trajetória de vingança de Emily Thorne/Amanda Clarke (Emily VanCamp) e dava uma ideia do caminho a ser percorrido pela protagonista, que tentava limpar o nome do pai e se vingar de Victoria (Madeleine Stowe), a matriarca de uma influente família que vivia nos Hamptons. Quatro anos depois, o promissor acerto de contas das protagonistas terminou, no último domingo (10), com um desfecho pobre e atropelado, além de um decepcionante "confronto final" entre as personagens centrais. O último episódio começa com Emily confessando o assassinato de Victoria, supostamente morta na explosão da antiga mansão dos Grayson. Sem provas de que a "rainha dos Hamptons" forjou a própria morte, ela planeja ser levada, após a confissão, para um presídio monitorado por Nolan (Gabriel Mann), o que facilitaria sua fuga.  Enquanto Emily é transferida para a cadeia, Victoria se esconde no escritório ...