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"Coisa Mais Linda" mantém discurso relevante, mas apresenta tramas de pouco movimento

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Divulgação/Netflix As mensagens transmitidas pelas trajetórias das personagens de "Coisa Mais Linda" são, desde a primeira temporada, a base de sustentação da história e representam a principal contribuição que a atração pode dar para quem assiste. O relevante discurso feminista é a força da produção e tem a capacidade de provocar inspiração, as mulheres, inclusive, têm mais propriedade para falar disso. No segundo ano da série, lançado recentemente na Netflix, isso não muda, mas os novos episódios deixam claro que é preciso investir mais em dramaturgia. "Coisa Mais Linda" começa a segunda temporada com Malu (Maria Casadevall) se recuperando do tiro que levou de Augusto (Gustavo Vaz) no réveillon. Ela é informada que Lígia (Fernanda Vasconcellos), a melhor amiga, não resistiu aos ferimentos provocados pelo ataque do marido machista. Essa, no entanto, não é a única descoberta que a protagonista faz em 1960, depois da traumática virada de ano. Pedro (Kiko Berth...

Conflitos da maternidade agregam reflexões sobre racismo e privilégios em "Little Fires Everywhere"

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Divulgação/Hulu A maternidade, das alegrias aos dilemas provocados por ela, é uma tema recorrente em histórias, especialmente nas melodramáticas, cuja influência tem aparecido com mais frequência em diferentes produtos audiovisuais. Bebendo dessa fonte, a minissérie "Little Fires Everywhere" explora conflitos entre mães e filhos, mas acrescenta outros ingredientes a essa mistura, provocando reflexões sobre racismo, respeito às diferenças e privilégios. Em oito episódios, a produção, disponibilizada na Amazon Prime Video, é baseada no livro de mesmo nome de Celeste Ng e ambientada na década de 90, em Shaker Heights, no estado norte-americano de Ohio. A comunidade se orgulha dos padrões estabelecidos para a vida no local, difundindo exemplos e regras em panfletos, além de produzir fitas cassetes com orientações para os novos moradores. Tudo parece perfeito, mas, por trás desse verniz, ficam escondidos preconceitos e outras atitudes que excluem os que não se encaixam naque...

"Watchmen" apresenta narrativa detalhista e intrigante do início ao fim

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Divulgação/HBO Discussões sobre o conceito de vigilantes mascarados sem idealizações sempre estiveram no centro de "Watchmen", a elogiada HQ de Alan Moore, que já ganhou uma adaptação para o cinema. Agora na televisão, sob o comando de Damon Lindelof, a história ganhou uma expansão de universo, que mostra respeito pelo material original, mas também não se furta a apresentar novas e oportunas reflexões sobre a realidade em que vivemos. A série da HBO se passa em Tulsa, no estado norte-americano de Oklahoma, cidade onde a polícia atua mascarada e escondendo a própria identidade até da família como proteção, depois que houve um ataque orquestrado pela Sétima Kavalaria, grupo de supremacistas brancos que utiliza máscaras de Roschach e surpreende policiais em plena véspera de Natal. É nesse contexto em que o espectador é apresentado a Angela (Regina King), uma policial aposentada que usa capuz e máscara para continuar combatendo o crime na cidade. Com o codinome "Sist...

Narrativa de "Olhos que Condenam" provoca reflexão necessária sobre injustiça e preconceito

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Divulgação/Netflix A diretora Ava DuVernay sempre conseguiu imprimir intensidade e gerar reflexão com seus trabalhos. A primeira vez que fiquei impactado com a força de uma narrativa comandada por ela foi no filme "Selma", sobre um importante episódio da luta por direitos civis nos Estados Unidos. Depois, a cineasta impressionou com o documentário "13ª Emenda", que discutiu a forma como os negros são afetados por uma emenda da Constituição norte-americana. Como se não bastasse, Ava é, agora, a responsável por uma das melhores minisséries dos últimos tempos, "Olhos que Condenam", que emplacou 16 indicações ao Emmy 2019. Da mesma forma que nos trabalhos anteriores, a diretora e roteirista usa a realidade para criar uma narrativa poderosa sobre preconceito e injustiça. A minissérie, de apenas quatro episódios, se baseia no caso dos "Cinco do Central Park", adolescentes negros julgados e condenados por um crime que não cometeram, vítimas de ra...