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Mostrando postagens com o rótulo política

"Filhos da Pátria": passado muito presente ou presente muito passado?

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Divulgação/TV Globo Acabou a mamata no Brasil? Meninos vestem azul e as meninas rosa? Afinal, foi golpe ou não? Essas e outras questões do gênero estão muito vivas no nosso dia a dia, mas na série "Filhos da Pátria" elas aparecem em um contexto histórico diferente. E, algumas vezes, não é nem o caso de apenas transportar discussões atuais para o passado, mas retratar a repetição de erros e atrasos da política brasileira. Na segunda temporada, a série de Bruno Mazzeo passa a ser ambientada nos anos 30, quando Getúlio Vargas tira Washington Luís do poder e assume o Palácio do Catete, então capital da República. Enquanto os apoiadores do gaúcho chamam aquele movimento de revolução, para tentar amenizar os efeitos das ações, outros identificam que Vargas, na verdade, aplicou um golpe e rompeu com a política do café com leite, que privilegiava o eixo São Paulo-Minas Gerais. Nesse cenário, a série foca na rotina da família Bulhosa, diretamente afetada pelas mudanças políti...

Início atropelado e ausência de protagonista enfraquecem final de "House of Cards"

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Quando o serviço de streaming Netflix confirmou o desligamento do ator Kevin Spacey das funções de protagonista e produtor executivo de "House of Cards", acusado de assédio sexual e conduta abusiva nos bastidores, o cancelamento parecia sacramentado. Logo depois, veio a notícia de que Robin Wright iria assumir o foco da trama na sexta e última temporada, o que gerou dúvidas sobre a forma como os roteiristas iriam fazer para justificar o sumiço de Frank Underwood e o caminho solitário da esposa dele até o episódio final. Com a estreia dos capítulos finais, ficou claro que, apesar da extrema competência da intérprete de Claire Underwood, algo faltou. Depois de um conturbado quinto ano, que culminou na chegada de Claire à presidência dos Estados Unidos, a sexta temporada começa colocando logo o espectador no centro dos acontecimentos causados pela morte de Frank, cujo corpo tinha sido encontrado na ala residencial da Casa Branca. Apesar do falecimento do marido, a president...

Cinco motivos para rever "Vale Tudo" após 30 anos da estreia da novela

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Reprodução/TV Globo "Não me convidaram pra esta festa pobre, que os homens armaram pra me convencer, a pagar sem ver toda essa droga que já vem malhada antes de eu nascer". Em 1988, a música "Brasil", composta por Cazuza e cantada por Gal Costa, anunciava o início do capítulo da novela "Vale Tudo", posteriormente reconhecida como um dos grandes folhetins da teledramaturgia brasileira. Agora, 30 anos depois da estreia, a novela vai voltar ao ar, no canal Viva, o que pode ser pertinente diante do atual cenário político do país. Em 1988, a trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères propunha uma discussão sobre a corrupção e a falta de ética em um Brasil recém-saído de um período de opressões e do movimento das "Diretas Já", que reivindicou eleições diretas para presidente e deu início a um processo democrático no país.  Na época, "Vale Tudo" já criticava a corrupção brasileira, que passava pelo "jeitinho...

"The Good Fight" usa roteiro inteligente para criticar política e radicalismo do mundo

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Acho que posso dizer que muita gente, de diversas partes do mundo, é capaz de concordar que estamos vivendo tempos estranhos. Mesmo em realidades distintas, pessoas enfrentam cenários políticos instáveis, manifestações constantes de ódio, intolerância, radicalismos e preconceitos. "The Good Fight", o spin-off da igualmente ótima "The Good Wife", discute todos esses assuntos na segunda temporada, disponibilizada pelo serviço de streaming do canal CBS, nos Estados Unidos, e no Amazon Prime Video para os brasileiros. Depois de uma primeira temporada mais focada na jovem advogada Maia (Rose Leslie) e no escândalo financeiro que envolve a família dela, o segundo ano da série volta a priorizar Diane Lockhart (Christine Baranski), que passa a maior parte dos episódios perturbada com os rumos que o mundo tem tomado. Incomodada pela vitória de Donald Trump para a presidência e todos os efeitos que isso causou, a advogada também passa a viver em extrema tensão por conta ...

"Scandal" encerra trajetória com desfecho aberto e coerente para os personagens

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Ao longo de sete temporadas no ar, "Scandal" sempre mostrou que não resistia a uma boa conspiração pelo poder em Washington. Foram inúmeras as tentativas de políticos, agentes secretos e outras figuras públicas para conquistarem o centro político dos Estados Unidos, e, consequentemente, toda a nação. Para encerrar essa trajetória na TV, nada mais certo do que dar um desfecho ao último deles e definir o futuro dos personagens. Mais do que nunca, Olivia Pope (Kerry Washington) esteve no centro dos conflitos da sétima e última temporada. Depois de voltar à Casa Branca como chefe de gabinete de Mellie (Bellamy Young), a protagonista passou por mudanças ao ceder aos efeitos de estar "no topo". Também como a nova Comandante do B-613, a organização secreta apontada como a verdadeira sustentação do governo, Olivia conspirou e armou para conseguir se manter no controle das decisões políticas, indo frequentemente contra os plano da presidente. Após passar um tempo prat...

Abordagem rasa e texto didático fazem "O Mecanismo" falhar como dramaturgia e reflexão

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Os esquemas de desvios de dinheiro escancarados, nos últimos anos, no Brasil, revelaram operações extremamente organizadas e complexas para repasses irregulares de verbas públicas, formações de cartéis e envios de quantias astronômicas para o exterior. Toda essa complexidade, que espanta os brasileiros a cada nova revelação, passa longe de "O Mecanismo", produção brasileira que estreou a primeira temporada no Netflix. Criada por José Padilha e Elena Soárez, a série inspirada nas investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, chega ao serviço de streaming com a intenção de desvendar todas as engrenagens do "mecanismo" que movimenta a corrupção do país. Tudo isso, no entanto, só fica na intenção por conta da abordagem superficial do roteiro, que evita a complexidade dos esquemas e se rende ao didatismo para "dar uma aula" sobre o tema. "O Mecanismo" começa focando na rivalidade entre o delegado Marco Ruffo (Selton Mello) e o doleir...

Volta de David Letterman mostra que boa conversa ainda tem espaço no mundo sob demanda

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Em meio a uma programação variada, algumas coisas me fazem interromper o ato de zapear pelos canais ou buscar algo para ver nos serviços de streaming e conteúdo sob demanda. Entre essas atrações que prendem a minha atenção, estão as entrevistas, que podem render boas reflexões, trazer informações e despertar curiosidades sobre assuntos ou figuras conhecidas. Durante décadas, um dos entrevistadores que esteve no centro desse universo foi David Letterman, que recebia os mais variados convidados no "The Late Show", programa que, mesmo focado no entretenimento, costumava ser palco de algumas discussões relevantes. Após mais de trinta anos no ar, observando as mudanças do mundo e a proliferação acelerada de programas semelhantes, que vinham apostando mais no show do que no talk, Letterman deixou o formato que o consagrou e passou pouco mais de dois anos em uma "aposentadoria". Agora, ele está de volta com "My Next Guest Needs No Introduction", série especi...

Conflitos pessoais e deveres da realeza prendem a atenção em "The Crown"

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A realeza britânica sempre despertou a curiosidade de muita gente, especialmente em relação ao dia a dia da família real, que sempre buscou uma imagem pública de força e perfeição. Depois de mostrar a ascensão da rainha Elizabeth II ao trono do Reino Unido, a série "The Crown" volta com uma segunda temporada mais focada na humanidade dos personagens, especialmente em relação à monarca. Alternando conflitos pessoais com os desafios de estar no trono, a produção construiu episódios que prendem a atenção e já fazem dela um dos grandes destaques de 2017. A série de Peter Morgan começa a segunda temporada em meio a uma crise conjugal entre Elizabeth II (Claire Foy) e o Duque de Edimburgo (Matt Smith), que viaja para uma turnê pelo mundo. Além do sentimento de insegurança, a rainha precisa lidar com as reclamações constantes do marido, sempre incomodado por estar "à sombra" da monarca. Isso faz com que o Duque reivindique uma participação mais ativa na vida pública d...

"Scandal" estreia última temporada mais focada em política e força da protagonista

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Desde o início, "Scandal" sempre apresentou tramas que giraram em torno do universo de Olivia Pope (Kerry Washington). Todos os seis anos anteriores parecem ter servido como uma "escala" para o momento atual da série, que começou a anunciada sétima e última temporada com um foco maior ainda nas ações da protagonista, agora a principal força de poder na Casa Branca. Como não poderia deixar de ser, a política ocupou o lugar das conspirações e planos de espionagem e, mesmo sempre estando presente, ganhou importância ainda maior. Agora como chefe de gabinete de Mellie (Bellamy Young), Olivia está disposta a provar que as diretrizes políticas dela são as que devem prevalecer em Washington. Em outras palavras: quer mostrar que ela dá as cartas. No primeiro episódio da nova temporada, todas as articulações da Casa Branca estão sendo feitas para aprovar, no Capitólio, um projeto que institui faculdade de graça para a população mais pobre do país. Para isso, Olivia nã...

Quinto ano de "House of Cards" foca em autopreservação política e ascensão ao poder

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O quinto ano de "House of Cards" era muito esperado, especialmente após a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Muito comparado ao presidente da vida real, Frank Underwood (Kevin Spacey) voltou em um cenário parecido ao visto, todos os dias, no noticiário: em um clima de insegurança, divisão e protestos. Há, no entanto, coisas que os diferenciam, a começar pelo inegável carisma do presidente democrata da ficção. Underwood, no entanto, mostra, ao longo da temporada, que possui uma característica que Trump parece não ter: autopreservação política. Depois de criarem o caos e utilizarem os artifícios do terror e da guerra, o casal Underwood começa a temporada enfrentando uma acirrada eleição e tentando superar uma pontual desvantagem, apelando, para isso, a um discurso de ódio e "combate ao inimigo americano", como uma cortina de fumaça para esconder suas reais intenções. Com um discurso incisivo contra as ameaças de um grupo terrorista, ...

Velho Chico eleva padrão do gênero e se firma como um grande folhetim da TV

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Divulgação/TV Globo Foram, no mínimo, impecáveis os últimos capítulos de "Velho Chico", novela de Benedito Ruy Barbosa com direção de Luiz Fernando Carvalho. De fato, o adjetivo "impecável" é um dos mais recorrentes para classificar a atual trama das 21 horas da TV Globo que, é bem verdade, não conquistou definitivamente as atenções do público do horário e, já passada mais da metade de sua duração, dificilmente o fará.  Repleta de clichês folhetinescos, "Velho Chico" consegue, mesmo utilizando ganchos e tramas recorrentes do gênero, cativar pelo belo tratamento dado ao produto. O texto de Barbosa é um dos mais ricos da trajetória do autor na televisão e não são raros os capítulos que não tenham, pelo menos, um diálogo marcante ou emocionante. Soma-se a isso a postura do diretor artístico da trama, que sempre trabalha como um co-criador e imprime sua estética caprichosa, fugindo da tradicional função de apenas cumprir o que diz o texto. Desde o i...

Parceria em crise e rastros do passado marcam quarta temporada de "House of Cards"

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Casado há quase 30 anos, Claire (Robin Wright) e Frank Underwood (Kevin Spacey) sempre foram muito mais do que marido e mulher. Desde o início, dava para perceber que, mais do que um casamento, a relação dos dois é um negócio, sustentado pela parceria sólida entre eles. Mas, será que essa união é tão sólida assim, capaz de resistir às tentações provocadas pelo poder? Na quarta temporada de "House of Cards", disponível no Netflix, a maior ameaça ao casal Underwood é o próprio casal Underwood. Em plena campanha para vencer as primárias do partido Democrata, Frank precisa lidar com um grande problema, que começa dentro da própria ala residencial da Casa Branca: seu casamento com Claire. Ávida por influência e poder, para não ficar apenas à sombra do marido, a primeira-dama norte-americana faz questão de construir uma carreira na política e construir autonomia longe de Frank. Para isso, ela decide concorrer a uma vaga no Congresso pelo seu estado natal, o Texas. O desejo d...

Novo recomeço é ponto de partida para sétima temporada de "The Good Wife"

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Alicia Florrick (Julianna Margulies) talvez seja a personagem da televisão que mais vezes recomeçou sua vida da estaca zero. Foi traída pelo marido, deixou de ser apenas uma "boa esposa", recomeçou a carreira de advogada, construiu reputação em uma firma renomada, saiu desse emprego, começou um escritório próprio, deixou tudo para trás para tentar uma carreira como procuradora, ganhou a eleição para o cargo, foi obrigada a renunciar por conta de fraudes nos votos e perdeu seu lugar na firma que ajudou a erguer. Agora, no início da sétima temporada, a advogada, modestamente, tentar recomeçar a carreira. No primeiro episódio do novo ano, exibido na semana passada, Alicia tenta voltar à ativa. Para isso, decide procurar casos menores, que envolvem motoristas embriagados e traficantes de drogas. Sua fama e posição, já que ela ainda é a esposa do governador, tornam a tarefa mais difícil, uma vez que o juiz dos casos não acredita que ela precisa, de fato, estar ali. Paralelo a...